Vitória emocionante em 1995

Vitória emocionante em 1995

Gabriel Pierin, do Centro de Memória

Santos e Guarani, campeão e vice de São Paulo em 2012, duelam pelo Campeonato Paulista na próxima segunda-feira, dia 18, às 20 horas, no Pacaembu.
Ambos já se enfrentaram 180 vezes, o que coloca o Guarani como o quinto adversário que mais vezes jogou contra o Santos. O domínio na história dos confrontos é santista. Foram 98 vitórias, 38 empates e 44 derrotas. O Santos marcou 375 e sofreu 227 gols. No Pacaembu, o Alvinegro jamais foi derrotado pela equipe de Campinas: foram quatro jogos e quatro vitórias.

Com tantos jogos entre os clubes, alguns, naturalmente, entraram para a história. Foram decisivos, para a conquista de um campeonato, ou que valiam uma classificação. Um desses confrontos ocorreu pelo Campeonato Brasileiro de 1995, no mesmo Pacaembu.

O time do técnico Cabralzinho precisava da vitória para terminar o segundo turno na liderança e, assim, classificar-se para as semifinais da competição.  Embalado por uma sequência de vitórias, o Santos disputava a vaga, ponto a ponto, com o Atlético Mineiro.

Só a vitória interessava naquele domingo, 3 de dezembro, em que mais de 25 mil pessoas foram ao Pacaembu ver a partida contra o Guarani. Porém, apesar do poder de criação do meio campo, formado por Gallo, Carlinhos (depois Camanducaia), Robert e Vágner (Marcelo Passos) e da força do seu ataque, com Jamelli e Giovanni, o gol teimava em não sair.

Após um primeiro tempo em branco, a vitória só começou a se desenhar aos 37 minutos da segunda etapa, quando Marcelo Passos, que entrara no lugar de Vágner, recebeu a bola na entrada da área, ajeitou e deu um chute fulminante no ângulo esquerdo, tirando do goleiro Léo. Para a euforia de um Pacaembu em festa, Giovanni ainda marcou aos 44 minutos, sacramentando a vitória e levando o Santos para as semifinais.

Se naquele ano o Santos não pôde comemorar o título brasileiro, a conquista do vice-campeonato devolveu a alegria e a confiança à torcida e fez de 1995 um ano que entrou para a história pela garra, técnica, disciplina e ousadia de um time com estigma de campeão, como mostrou na brava vitória sobre o Guarani.

A vingança de Feitiço
Odir Cunha, do Centro de Memória

O Santos já tinha um ataque excepcional e naquele início de 1927 ainda conseguiu o reforço de Luis Matoso, o popular Feitiço, que viria a se firmar como o maior artilheiro da fase amadora do futebol brasileiro. Quem trouxe o craque para o Santos foi seu amigo Antonio Lima, um santista fanático.

O atacante estreou contra o Palestra Itália, em São Paulo, em jogo válido pela Taça Cruz Azul, e já fez um dos três gols da vitória santista por 3 a 2. Uma semana depois estrou na Vila Belmiro, que se engalanou para aplaudir o astro em um amistoso contra o Guarani que atraiu 10 mil pessoas.

O Santos terminou o primeiro tempo goleando por 5 a1, mas sem nenhum gol de Feitiço. Na segunda etapa o time quis fazer firulas e acabou sofrendo a maior virada de sua história: 6 a 5 para o time de Campinas, e sem nenhum gol do afamado Feitiço… Mas aquilo não ficaria assim.

Quiseram os deuses do futebol que quatro meses depois, no dia 28 de agosto, já pelo Campeonato Paulista, o Guarani voltasse à Vila Belmiro para enfrentar o Santos… e Feitiço. Como no jogo anterior, o primeiro tempo mostrou amplo domínio alvinegro, que terminou com uma vantagem de 5 a 0…

Será que o Guarani teria forças para empreender outra virada daquelas?, pensavam todos na Vila. Eis que começa a segunda etapa e em uma arrancada irresistível Feitiço passa por um, por dois, dribla o goleiro Luis e, com o gol à sua mercê, para a bola em cima da linha e ergue a mão espalmada para a torcida, mostrando um dedo para cada gol marcado. Em seguida, enquanto o pé dá um biquinho na bola, empurrando-a para dentro do gol, ergue também a mão esquerda e empina o indicador para o alto, elevando a contagem a seis. A Vila veio abaixo.

Assim, o artilheiro que tivera uma das estreias mais criticadas na história do Alvinegro Praiano, comandava uma vingança lapidar. Naquele domingo o Santos venceu o Guarani por 10 a 1, com três gols de Feitiço, quatro de Araken Patusca, dois de Camarão e um de Omar.

Em 1931, ainda pelo Santos, Feitiço se tornaria o maior artilheiro de todos os tempos do Campeonato Paulista, com 39 gols. Sua marca permaneceria insuperável por 27 anos. Apenas em 1958 um garoto negro, também atacante do Alvinegro Praiano, cometeria a proeza de marcar 58 gols em apenas uma edição do campeonato.

Estatísticas
Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Santos e Guarani jogaram 116 vezes pelo Campeonato Paulista, com 68 vitórias do Santos, 19 empates e 29 vitórias do Guarani; 243 gols santistas e 137 do adversário.
No Pacaembu já se enfrentaram quatro vezes, com quatro vitórias do Santos, que marcou nove gols e sofreu dois. No Pacaembu, pelo Campeonato Paulista, só foi realizada uma partida: em 3 de maio de 1979 o Santos venceu por 3 a 1, com dois gols de João Paulo e um de Juary.

Maiores goleadas do Santos sobre o Guarani (em ordem crescente)
Dia 14/04/1957 – 6 a 1 – na Vila Belmiro – Amistoso
Dia 19/08/1964 – 6 a 1 – na Vila Belmiro – Paulista
Dia 26/01/1952 – 7 a 2 – na Vila Belmiro – Paulista
Dia 14/12/1958 – 7 a 1 – no Brinco de Ouro – Paulista
Dia 11/09/1965 – 7 a 0 – na Vila Belmiro – Paulista
Dia 15/08/1957 – 8 a 1 – na Vila Belmiro – Paulista
Dia 17/09/1958 – 8 a 1 – na Vila Belmiro – Paulista
Dia 14/04/2010 – 8 a 1 – na Vila Belmiro – Copa do Brasil
Dia 21/08/1927 – 10 a 1 – na Vila Belmiro – Paulista
Dia 10/01/1961 – 10 a 2 – na Vila Belmiro – Amistoso

O Guarani é a quinta equipe contra a qual o Santos mais jogou em sua história, ficando atrás apenas de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Portuguesa de Desportos.

Maiores artilheiros santistas no confronto
1 – Pelé, 41 gols.
2 – Feitiço, 15 gols.
3 – Neymar e Pepe, 10 gols.
5 – Araken Patusca, João Paulo e Tite

Primeiro jogo
Santos 3 x 0 Guarani, na Vila Belmiro
Amistoso em 31 de agosto, domingo
Dois gols de Araken e um de Siriri
Santos jogou com Agne, Bilu e Aristides; Rosa, Alfredo e Renato; Requião, Claudino, Siriri, Araken e Hugo.