Uma vitória – e um título – vindos da alma

Uma vitória – e um título – vindos da alma

Por Odir Cunha, do Centro de Memória

Como se sabe, neste domingo, às 11 horas da manhã, pela décima-terceira rodada do Campeonato Brasileiro, o Santos defenderá sua liderança contra o Goiás, na Vila Belmiro. Como costume, o Centro de Memória e o site oficial do clube, além das estatísticas do confronto, relembram um duelo marcante entre as duas equipes. Hoje vamos lembrar uma partida chave para manter o Alvinegro Praiano na luta pelo título brasileiro de 2004.

Estávamos na 41ª rodada e como a Série A tinha 24 equipes, faltavam apenas cinco rodadas para o fim da competição. O Santos perseguia o Atlético Paranaense, que tinha dois pontos ganhos a mais. O time do Paraná fazia um excelente segundo turno, com 12 vitórias em 18 jogos. Uma bobeada do Santos e seria impossível ultrapassar o rival.

Punido por jogar objetos no gramado de Vila Belmiro, o Alvinegro não podia mandar seus jogos em seu estádio e nem mesmo na Capital. Restava a alternativa do Interior Paulista, e foi lá, mais precisamente em Presidente Prudente, que o Santos enfrentou o Goiás em 14 de novembro, um domingo em que o estádio Eduardo José Farah recebeu 20.344 espectadores.

Com ótima campanha, o Goiás tinha um bom time, tanto que terminaria o campeonato na sexta posição. Por outro lado, o Santos estava desfalcado de Ricardinho e Robinho, além de Preto Casagrande. Para complicar, a equipe do Planalto Central abriu o marcador aos 10 minutos, com um pênalti cobrado por Paulo Baier.

O primeiro tempo terminou com a vantagem do visitante. No segundo, o tempo passava e nada de o Santos marcar. Em substituições ousadas, o técnico Vanderlei Luxemburgo tirou o zagueiro André Luis e colocou o centroavante Willian; tirou também o experiente meia Elano para entrar o jovem atacante Marcinho.

Uma derrota santista e o Atlético Paranaense, que naquela rodada goleou o Criciúma por 6 a 1, abriria terríveis cinco pontos de vantagem. A torcida sabia disso e incentivava o Santos com aquele entusiasmo dramático dos jogos decisivos.

A primeira explosão veio aos 38 minutos e 47 segundos. Paulo César bateu o escanteio pela direita, Willian saltou com a defesa e a bola sobrou para Basílio, que ajeitou com o peito no bico direito da pequena área e encheu o pé para empatar.

Dois minutos depois, Marcinho driblou seu marcador pela direita, entrou na área e cruzou para trás. Willian se agachou para cabecear para o gol livre. Os dois jogadores saídos do banco sacramentavam a virada empolgante!

Recebida com extrema alegria pelos santistas em Presidente Prudente, a vitória manteve o Santos no encalço do Atlético Paranaense – até ultrapassá-lo na penúltima rodada e garantir o título com o triunfo sobre o Vasco, em São José do Rio Preto.

Muito se pode falar sobre essa conquista heroica do Santos, que representou o seu oitavo título brasileiro. Há muitos ângulos da epopeia de 2004 que merecem a visão dos torcedores e historiadores. Mas aquela vitória sobre o Goiás, no domingo incandescente de Presidente Prudente, não pode ser esquecida.

Supremacia apertada

Por Gabriel Santana e Guilherme Guarche, do Centro de Memória

O retrospecto dos jogos entre Santos e Goiás mostra um surpreendente equilíbrio. Até hoje os times se enfrentaram 51 vezes e o Santos venceu 18, perdeu 16 e empatou 17; fez 86 gols e sofreu 75.

Nos jogos pelo Campeonato Brasileiro a disputa é ainda mais acirrada, pois em 44 partidas cada time venceu 14 vezes e ocorreram 16 empates. O Santos marcou 65 gols e sofreu 62.

A vantagem santista só é mais folgada no caso dos 16 jogos pelo Campeonato Brasileiro realizados na Vila Belmiro, pois em seu Alçapão o Santos venceu sete deles, empatou seis e foi derrotado apenas três vezes, marcando 28 gols e deixando passar 19.

Santistas artilheiros do confronto no Campeonato Brasileiro
1 – Nenê Belarmino e Ricardo Oliveira, 4 gols.
2 – Neymar, 3 gols.

Na primeira partida, empate com muitos gols
Goiás 3 x 3 Santos
Goiânia, amistoso em 19 de março de 1968.
Goiás: Joel, Baltazar, Macalé, Japonês e Aleixo; Pacu e Garrincha; Lailson, Rinaldo (Eurípedes), Afonso e Virgílio (Sinval).
Santos: Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Joel Camargo e Geraldino; Lima e Negreiros; Kaneco (Mengálvio), Douglas, Pelé e Abel. Técnico: Antoninho.
Árbitro: José Munioz Brandão.
Cartão vermelho: Carlos Alberto Torres, no primeiro tempo.
Gols do Santos: Pelé, Carlos Alberto Torres e Douglas.
Gols do Goiás: Rinaldo (2) e Garrincha.