Santos também teve um Mané driblador

Santos também teve um Mané driblador

Guilherme Guarche e Gabriel Santana, do Centro de Memória

Do Tuna Luso e da Seleção Amadora do Brasil, Manoel, ou “Mané” Maria, viria assumir a ponta-direita do Santos em 1968. Com apenas 20 anos o garoto esguio e driblador se tornou titular de um ataque irresistível, que tinha ainda Toninho Guerreiro, Pelé, Edu, Abel… Coincidentemente, até no nome e no apelido lembrava o gênio da ponta-direita, o botafoguense Mané Garrincha.

Quando o técnico João Saldanha divulgou seus convocados para as Eliminatórias da Copa de 1970, nove santistas estavam na lista principal e o paraense Manoel Maria aparecia também, na lista do 40, entre aqueles que poderiam ser chamados.

Nascido em Belém em 29 de fevereiro de1948, não é todo ano que Mané Maria comemora seu aniversário no dia certo. Mas a história do Santos não pode esquecer de jogador tão importante, que estreou no Alvinegro Praiano em 15 de junho de 1968, lançado pelo técnico Antoninho no amistoso contra o Zurich, na Suíça.

Mané entrou em um timaço que naquele dia jogou com Gylmar, Turcão, Oberdan, Ramos Delgado e Geraldino (depois Elizeu); Clodoaldo e Lima; Amauri (Manoel Maria), Toninho, Pelé e Abel (Pepe).

Naquele jogo o Santos foi derrotado por 5 a 4 e Mané Maria não marcou gols – Toninho, dois, Pelé e Pepe foram os artilheiros santistas –, mas de 1968 a 1973 ele faria 165 partidas e marcaria 34 gols com a camisa 7 do Santos, conquistando meia dúzia de títulos nacionais e estrangeiros, entre eles dois Paulistas, um Brasileiro e uma Recopa Mundial. .

Certamente Mané e seu futebol irreverente teriam ido mais longe na carreira não fosse o grave acidente automobilístico ocorrido no final de 1970, na orla de Santos. Um traumatismo craniano o deixou em coma por 11 dias. Ao voltar, espirituoso, brincou que estava vendo duas bolas.

Em 1973 foi para a Portuguesa Santista e iniciou um périplo que passou por Racing, Paysandu, Colorado e New York Cosmos antes de voltar ao Santos, em 1976. Vestiu pela última vez a camisa do Peixe em amistoso diante do XV de Jaú, em Jaú, em 15 de agosto de 1976, que o Santos venceu por 2 a 1, gols de Toinzinho e Tuca.

Em sua despedida do time pelo qual ainda torce, a equipe foi escalada pelo técnico Zé Duarte com Wilson Quiqueto, Tuca, Vicente, Bianchi e Fernando; Carlos Roberto e Ailton Lira; Manuel Maria (Claudinho), Tata (Babá), Toinzinho e Edu.