Santos e Botafogo, o clássico do futebol arte

Santos e Botafogo, o clássico do futebol arte

Por Odir Cunha, do Centro de Memória
Estatísticas Guilherme Guarche 

Sempre que Santos e Botafogo se encontram, como ocorrerá neste domingo, às 19 horas, na Vila Belmiro, entram em campo as recordações de uma época de ouro em que a bola era tratada com galhardia e a expressão “país do futebol” se devia a esses dois alvinegros, construtores da Seleção Brasileira campeã mundial em 1958, 1962 e 1970.

Quanto tinham Pelé e Garrincha esses times míticos decidiram apenas um título brasileiro, o da Taça Brasil de 1962. O Santos venceu no Pacaembu por 4 a 3, perdeu no Maracanã por 3 a 1 e, no mesmo Maracanã, dois dias depois, ganhou a negra por indiscutíveis 5 a 0.

Jogaram mais uma final de Brasileiro, em 1995, quando o Santos perdeu no Maracanã por 2 a 1 e empatou no Pacaembu por um gol, numa final estranha e polêmica, na qual o único gol legal, de Marcelo Camanducaia, foi invalidado pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas. Houvesse o tão discutido VAR àquela época e Giovanni, Camanducaia, Macedo, Vágner, Gallo, Jamelli, Marcelo Passos, Edinho & Cia hoje seriam justamente festejados como os legítimos campeões nacionais daquela temporada.

Bem, mas a vida segue e o futebol é cíclico. Enquanto os dois tradicionais alvinegros não voltam a se encontrar em uma decisão de título, prosseguem os embates deste clássico que já tem 101 anos e cujas estatísticas mostram uma boa vantagem santista.

Ao longo da história, Santos e Botafogo já se enfrentaram 110 vezes, com 43 vitórias santistas, 30 empates e 37 derrotas; 185 gols marcados e 155 sofridos. Pelo Campeonato Brasileiro fizeram 62 partidas, com 22 vitórias do Santos, 20 empates e 20 derrotas; 82 gols a favor e 64 contra.

A maior série invicta desses duelos compreende 11 partidas, de 19 de novembro de 2000 a 18 de julho de 2012, em que o Santos não perdeu para o rival, obtendo seis vitórias e cinco empates, marcando 17 gols e sofrendo seis.

Na Vila, Santos tem vencido metade dos jogos

Dos 21 confrontos pelo Brasileiro jogados na Vila Belmiro, o Santos venceu 10, empatou sete e perdeu quatro; marcou 29 gols e deixou passar 14. Isso quer dizer que, por essa estatística histórica, o Alvinegro Praiano tem 47,6% de chances de vitória, 33,3% de empate e apenas 19,1% de derrota. Um resultado lógico, ainda do ponto de vista histórico, seria 2 a 1 para o Peixe.

Artilheiros santistas do confronto

Pelé, Pepe, Diego, Nenê Belarmino e Paulinho Mclaren, 3 gols.

Primeira vitória do título de 2004

Após uma estreia ruim, em que perdeu para o Paraná, em Curitiba, por 3 a 2, o Santos recebeu o Botafogo, na Vila Belmiro, pela segunda rodada do Brasileiro de 2004. O time carioca também tinha sido derrotado na primeira rodada, pelo Goiás, em casa, por 4 a 1.

Para aquela partida, jogada em um domingo, 25 de abril, o técnico Émerson Leão escalou a equipe com Júlio Sérgio, Paulo César (depois Preto Casagrande), Alex, Alcides (Pereira) e Léo; Claiton, Renato, Elano e Diego; Robinho e Leandro Machado (Lopes).

O Botafogo, com o técnico Levir Culpi já ameaçado, jogou com Jefferson, Rodrigo Fernandes (Daniel), Sandro, Gustavo e Jorginho Paulista; Fernando, Túlio, Carlos Alberto e Téti (Valdo); Almir e Luizão (Márcio Gomes). Apenas 3.115 torcedores pagaram ingresso para ver a partida, que teve arbitragem de Ailton de Souza Mendonça.

Com a inciativa do jogo, o Santos criava mais chances, mas a bola não entrava. Até que aos 10 minutos do segundo tempo Robinho veio driblando da esquerda para o meio, bateu forte e rasteiro da entrada da área, Jefferson espalmou e Diego, em posição legal, empurrou para as redes.

Melhor, o Alvinegro Praiano chegou ao segundo gol aos 27 minutos. Dessa vez Diego penetrou pela meia direita, driblou como se quisesse alcançar a linha de fundo, mas bateu cruzado. A derrota fez Levir Culpi pedir demissão logo após a partida.

O Santos prosseguiu, com altos e baixos. Em 2 de maio perdeu para o Cruzeiro por 3 a 1, na Vila Belmiro, e Leão acabou substituído pelo interino Márcio Fernandes, que dirigiu o time na vitória sobre o Juventude por 2 a 1, também na Vila. No jogo seguinte – derrota para o Atlético Paranaense por 1 a 0, em Curitiba –, o técnico já seria Vanderlei Luxemburgo, que acabaria levando o Alvinegro Praiano ao seu oitavo título brasileiro.