Ramos Delgado, o argentino mais santista da nossa história

Ramos Delgado, o argentino mais santista da nossa história

Gabriel Santana, do Centro de Memória

José Manuel Ramos Delgado foi o primeiro argentino a ter um grande destaque com a camisa do Santos. Nascido em 26 de agosto de 1935, na província de Quilmes, Buenos Aires, aos 32 anos foi “convocado” por Pelé, Gylmar e Carlos Alberto Torres para substituir Mauro Ramos de Oliveira.

Sua carreira começou no Lanús em 1956. O time argentino iniciou uma ótima fase já no fim da década de 1950, justamente quando Ramos se encaixou perfeitamente na equipe. Suas ótimas atuações o levaram para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

No ano seguinte foi contratado pelo River Plate e por lá ele jogou até 1965, tornando-se um grande ídolo do clube. Nesse período disputou também a Copa do Mundo de 1962. Em 1966 foi atuar pelo Banfield, outro clube argentino.

E em 1967, aos 32 anos, recebeu o inesperado convite do Santos. O zagueiro Mauro Ramos havia realizado sua última partida pelo Alvinegro em abril. Pelé, Gylmar e Carlos Alberto Torres sugeriram Ramos Delgado para substituir o capitão santista. A estreia de “El Negro” ocorreu no dia 28 de agosto, em Malaga, num amistoso diante do Espanyol.

A responsabilidade de convencer a exigente torcida de um clube que tinha uma das melhores equipes do mundo e já possuía a chancela de Bicampeão Mundial era enorme. Mas seu talento e experiência conquistaram o torcedor santista rapidamente.

Sua precisão para desarmar o adversário sem violência e a classe para sair jogando eram incríveis. Além disso, possuía uma liderança firme e silenciosa, que impressionava a todos.

Parceiros de Seleção Brasileira

Quando Ramos Delgado chegou à Vila Belmiro a zaga santista tinha Orlando Peçanha e Joel Camargo, dois zagueiros de Seleção Brasileira. Em 1968 Orlando deixou o Santos e no seguinte o Peixe contratou Djalma Dias, também zagueiro da Seleção canarinho.

Em 1969 a dupla de zaga titular do Brasil era Joel Camargo e Djalma Dias, mas no time santista os dois se revezam na titularidade para formar a parelha com Ramos Delgado. Mesmo aos 34 anos, e tendo ao seu lado os craques da Seleção Brasileira, Ramos Delgado mostrava técnica e vigor físico para se manter como titular.

Ele comandou a defesa do Santos de 1967 a 1972 e conquistou, além de inúmeros torneios importantes, seis títulos oficiais: O Tricampeonato Paulista de 1967, 1968 e 1969, o Campeonato Brasileiro de 1968, e as Recopas Sul-Americana e Mundial, ambas do ano de 1968.

Jogou 321 partidas com a camisa do Alvinegro e marcou apenas um gol: em 26 de maio de 1970, o primeiro, de pênalti, na vitória de 2 a 1 sobre o Allianza de El Salvador.

Ao sair do Santos, em 1972, o argentino-brasileiro ainda jogou na Portuguesa Santista.  Em seguida, iniciou carreira de técnico nas categorias de base do Santos, passando ao time profissional em 1977 e 1978. De volta à Argentina, treinou dez equipes, entre elas os grandes River Plate e Estudiantes.

Voltou a comandar as equipes de base do Peixe de 1995 a 2005. Morou durante anos no bairro do Gonzaga, tornando-se um autêntico “cidadão santista”. De suas três filhas, duas nasceram no Brasil, apenas uma é argentina.
Ao retornar ao seu país, em 2006, foi viver com sua esposa em La Plata. Infelizmente, contraiu o Mal de Alzheimer, e a doença se agravou rapidamente. Um dos melhores e mais queridos zagueiros que o Santos já teve faleceu em 3 de dezembro de 2010, aos 75 anos.