Quando os Meninos viraram homens

Quando os Meninos viraram homens

Por Odir Cunha, do Centro de Memória

O início do Campeonato Brasileiro de 2002 mostrava que aquele time jovem e atrevido tinha alguma coisa de especial. Isso ficava evidente quando jogava na Vila Belmiro. Porém, quando atuava no campo do adversário, os Meninos pareciam se inibir. Por isso, as perspectivas para o jogo contra o Vasco, na noite de uma quarta-feira, 18 de setembro, não eram das melhores.

Até aquela 11ª rodada o Santos já tinha feito quatro jogos fora de casa e somava três derrotas e um empate. O último jogo como visitante tinha mostrado toda a insegurança da equipe, que depois de fazer 2 a 0 sofreu três gols em cinco minutos e permitiu a virada do Coritiba ainda no primeiro tempo.

Não que o Vasco estivesse muito melhor, mas jogava em casa e tinha jogadores experientes, como Petkovic. De qualquer forma, o Santos começou sem medo e Elano, então com 21 anos, recebeu ótimo passe, penetrou pelo meio da área e, mesmo acossado, chutou na saída de Fábio, abrindo o marcador aos seis minutos.

Passaram-se apenas 11 minutos e Souza, ágil atacante vascaíno, se infiltrou entre os zagueiros santistas e empatou o jogo. Nesse momento veio ao torcedor o filme dos últimos insucessos. Seria nova virada, sem dúvida. Os Meninos não suportariam a pressão.

Mas o tempo foi passando e o empate persistiu até o final da primeira etapa. Na segunda, surpreendentemente desinibido, o Santos buscou o ataque e numa dessas jogadas, aos 18 minutos, após escanteio pela esquerda, o zagueirão Alex, de apenas 20 anos, subiu mais alto que todo mundo para testar para o fundo do gol.

A vitória pareceu tirar uma cruz enorme das costas dos Meninos, que em seguida golearam o Corinthians, no Pacaembu, por 4 a 2, e o Cruzeiro, no Mineirão, por 4 a 1. Os altos e baixos voltaram, mas o time ainda se aprumou para a arrancada na fase final que lhe daria o épico sétimo título brasileiro. Tudo começou, porém, com a vitória sobre o Vasco, em São Januário.

Estatísticas dos jogos Santos e Vasco

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Pela Copa do Brasil Santos e Vasco fizeram apenas três jogos, com duas vitórias santistas e um empate, sete gols santistas e três vascaínos. Em 2016 o Santos ganhou por 3 a 1 na Vila Belmiro e empatou em 2 a 2 em São Januário. Em 2019 o Alvinegro Praiano vem de uma vitória por 2 a 0 na Vila e estará classificado se não perder por mais de um gol de diferença. A derrota por dois gols leva a decisão para os chutes da marca do pênalti.

Por 27 vezes Santos e Vasco se enfrentaram em São Januário, com cinco vitórias do Santos, oito empates e 14 derrotas. No total, os times jogaram 121 partidas, das quais o Santos venceu 42, empatou 37 e perdeu 43, marcando 195 gols e sofrendo 186.

Pela Copa do Brasil, nenhum santista marcou mais de uma vez contra o adversário desta quarta-feira. Os marcadores foram Ricardo Oliveira, Renato, Lucas Lima, Copete, Rodrygo, Jean Mota e Rodrigo, contra.

No cômputo de todos os jogos entre os dois times, o maior artilheiro do Santos é Pelé, com nove gols, seguido por Coutinho, com oito, e Dorval e Toninho Guerreiro, com seis.