Quando a vitória é essencial

Quando a vitória é essencial

Por Odir Cunha, do Centro de Memória

No futebol tudo pode acontecer. Assim, o obrigatório espírito esportivo faz com que empates e mesmo derrotas sejam recebidos com certa dose de naturalidade. Porém, há momentos em que tudo conspira para a vitória essencial: torcedores, jogadores, técnicos e até jornalistas pressentem que o jogo terá um determinado vencedor simplesmente porque precisa ter. Nesses momentos, o estigma do sucesso paira sobre o time, como ocorreu com o Santos naquela 39ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2004.

O adversário era o Fluminense, equipe tradicional do futebol brasileiro, em que se destacava o atacante Roger, hoje comentarista de tevê. O tricolor carioca não era uma equipe indigente, tanto que terminaria o campeonato na nona colocação entre 24 participantes. O Santos, porém, em luta renhida pela liderança com o Atlético Paranaense, não podia pensar em outro resultado a não ser naquele que lhe trouxesse três pontos.

Proibido de jogar na Vila Belmiro devido ao arremesso de um copo d’água no gramado, e também sem poder jogar no Pacaembu, o Peixe recorreu aos campos e aos seus torcedores do Interior Paulista. Aquele confronto, por exemplo, marcado para um sábado, 30 de outubro, foi jogado no Estádio Benedito Teixeira, na ardente São José do Rio Preto.

Aos cinco minutos, Robinho, em dia endiabrado, já tinha criado a primeira chance. Dois minutos depois, mais rápido que o zagueiro, ele bateu reto na saída do goleiro Fernando Henrique e abriu a contagem. Aos 19 minutos, pedalou em cima de Léo Moura e cruzou, para o gol contra de Laerte. A essa altura nenhum dos 21.763 torcedores presentes no Teixeirão esperava outra coisa a não ser mais gols santistas.

E eles vieram, no segundo tempo: aos dois minutos Zé Elias fez jogada pela esquerda e cruzou para Deivid ampliar; aos 10, nova jogada de Zé Elias e dessa vez Robinho pegou o rebote para fazer 4 a 0. Aos 36 minutos foi a vez de Basílio pedalar pela esquerda e cruzar para Deivid marcar o quinto. E assim terminou o espetáculo: 5 a 0 para o Santos.

O adversário até que tentou algumas jogadas e chegou a ter as chamadas chances claras de gol, mas quando isso aconteceu o goleiro Mauro foi um gigante e fechou a meta santista. Enfim, era daqueles dias em que o roteiro do jogo, e seu resultado, estavam escritos mesmo antes de a bola rolar.

Como se sabe, aquela goleada impulsionou o Santos rumo ao título. Depois dela o Alvinegro obteve cinco vitórias e dois empates nas rodadas finais, ultrapassando o Atlético Paranaense e conquistando, na mesma São José do Rio Preto, o seu oitavo título brasileiro, ao vencer o Vasco por 2 a 1.

Nas estatísticas, vantagem santista

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Até hoje o Santos enfrentou o Fluminense em 97 oportunidades, assim distribuídas: 12 amistosos, dois jogos pela Copa Sul-americana, 23 pelo Torneio Rio-São Paulo e 60 partidas pelo Campeonato Brasileiro.

No geral dessas 97 partidas ele obteve 39 vitórias, 20 empates e 38 derrotas. Marcou 157 gols e sofreu exatamente o mesmo tanto.
Apenas pelo Campeonato Brasileiro foram 60 partidas, com 23 vitórias, 11 empates e 26 derrotas; 86 gols a favor e 85 contra.

Na Vila Belmiro foram realizadas 17 partidas pelo Campeonato Brasileiro, com oito vitórias do Santos, quatro empates e cinco do adversário; 25 gols alvinegros e 19 tricolores.

Pelé e Pepe, com cinco gols cada, e Antoninho, com quatro, são os maiores artilheiros santistas desse confronto. Apenas em jogos pelo Brasileiro há sete jogadores empatados com três gols: Serginho Chulapa, Giovanni, Deivid, Kléber Pereira, Zé Eduardo, Ricardo Oliveira e Gabriel.