Parabéns Dorval!

Parabéns Dorval!

Odir Cunha, do Centro de Memória

É no mínimo intrigante saber que os dois pontas do melhor ataque de todos os tempos, início e fim do verso mais declamado nos tempos do futebol arte, nasceram com apenas um dia de diferença. Ontem o ponta-esquerda Pepe comemorou 84 anos, nesta terça-feira é a vez do ponta-direita Dorval.

Único jogador daquele Santos mágico a nascer em uma capital, Dorval Rodrigues veio ao mundo em 26 de fevereiro de 1935, na cidade de Porto Alegre. Esguio, habilidoso, rápido, com a característica de driblar para dentro e bater a gol com a esquerda, Dorval veio para o Santos em 1956, depois de iniciar a carreira no extinto Grêmio Força e Luz, também chamado “Onze da Timbaúva”, um time pequeno de Porto Alegre.

Sua estreia no Alvinegro Praiano ocorreu em 20 de maio de 1956, em um amistoso jogado em São José do Rio Preto, quando entrou no lugar de Alfredinho, na vitória de 3 a 1 sobre América local, com os gols santistas marcados por Pagão, Alfredinho e Tite.

Naquele domingo, o Santos foi escalado pelo técnico Lula com Manga (depois Osvaldo); Hélvio (Sarno) e Ivan; Ramiro, Formiga (Feijó) e Zito; Alfredinho (Dorval), Jair Rosa Pinto (Pepe), Pagão (Del Vecchio), Vasconcelos e Tite.

Dorval estava no amistoso contra o Corinthians de Santo André, em 7 de setembro daquele ano, que o Santos venceu por 7 a 1, com um dos gols do estreante Pelé. Porém, ao contrário do Rei, Dorval teve mais dificuldade para se tornar titular, pois Alfredinho era muito bom e ainda havia Tite, que podia jogador tanto na extrema-direita, como na esquerda.

Assim, aquele que seria o número 7 do ataque dos sonhos só começaria a ganhar a posição no começo de 1957, em uma excursão ao seu Rio Grande do Sul. Dois dias depois de uma derrota para o Grêmio, no Estádio Olímpico, por 3 a 2, Lula o escolheu para sair jogando contra o mesmo adversário, no mesmo local, dois dias depois, e o Alvinegro Praiano, bem mais insinuante, enfiou 5 a 0 no tricolor do Sul.

Quatro atuações destacadas

Discreto, quase tímido, Dorval nunca foi de se gabar de seus feitos, mas a verdade é que teve algumas atuações destacadas, como na vitória de 5 a 1 sobre o Barcelona, no Camp Nou, em 1959, na qual marcou dois gols; na goleada de 5 a 2 sobre o São Paulo, no Pacaembu, em 1962, que assegurou ao Santos o tricampeonato paulista; no primeiro jogo da final da Taça Brasil de 1965, em que marcou dois gols na vitória de 5 a 1 sobre o Vasco, no Pacaembu, também no Pacaembu, e naquele que o jornalista carioca Ney Bianchi chamou de “O maior jogo do mundo”, no qual entortou o lendário Nilton Santos e abriu o marcador da goleada de 5 a 0 sobre o Botafogo, no Maracanã, que decidiu a Taça Brasil/ Campeonato Brasileiro de 1962.

Segundo pesquisas de Guilherme Guarche e Gabriel Santana, do nosso Centro de Memória, Dorval jogou 612 partidas e marcou 194 gols pelo Santos, o que faz dele o sexto maior artilheiro do Alvinegro Praiano. Na Seleção Brasileira, jogou 13 partidas e marcou um gol.

A última vez que Dorval vestiu a camisa do Santos foi em 23 de abril de 1967, no Pacaembu, numa vitória por 3 a 0 sobre o Bangu, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Ele substituiu o ponta-direita Copeu.

Em 1964, após um desentendimento com Pelé depois de um jogo no Pacaembu, Dorval foi emprestado para o Racing, da Argentina. Lá, chegou a enfrentar o Santos, em um amistoso vencido pelo Alvinegro por 2 a 1, mas acabou voltando à Vila Belmiro no começo de 1965, permanecendo no Reino do Futebol até 1967.