Oito anos do gol Puskás

Oito anos do gol Puskás

Por Odir Cunha, do Centro de Memória

Naquela noite de 27 de julho de 2011 a Vila Belmiro exalava aquela energia que só recende nos grandes jogos. Eram apenas 15 minutos de jogo e os 12.968 torcedores que pagaram para ver o Santos de Neymar contra o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho estavam extasiados. O centroavante Borges já tinha feito dois belos gols, o segundo deles aproveitando um passe de costas de Neymar. Mas era evidente que algo mágico ainda estava por vir…

Aos 25 minutos e nove segundos Neymar recebeu uma passe curto de Ibson, quase sobre a linha da lateral esquerda do ataque. Puxou a bola de um adversário e, quando Leo Moura veio ajudar na marcação, passou entre os dois flamenguistas e correu para o meio. Paulo Henrique Ganso saiu de lado para dar passagem e Neymar tocou curto, à frente, para Borges. Este escorou um zagueiro e devolveu para Neymar, agora em direção ao gol, mas com cuidado para não perder a bola para o volante Renato, que o acossava.

Nesse momento, Neymar tinha apenas Borges à sua esquerda e Elano à direita, contra sete jogadores do Flamengo, além do goleiro. Ele descambou para a direita e talvez tenha pensado em lançar Elano, que chegou a dar um pique rápido para receber o passe. Mas, inesperadamente, Neymar se colocou de frente para Ronaldo Angelim, tocou a bola com o pé esquerdo de um lado do adversário e foi encontrá-la cinco rápidos passos à frente, num ponto para o qual convergiam também dois flamenguistas, além do goleiro Felipe. O toque, com o lado externo do pé, colocou a bola à direita de Felipe e coroou a jogada perfeita, premiada pela Fifa com o Gol Puskás de 2011. Passavam-se 20 minutos e 20 segundos. Todo o lance durou 11 segundos.

A partida poderia ter terminado aí, mas prosseguiu para cumprir o tempo regulamentar. O Flamengo empataria ainda na primeira etapa, depois de Elano cobrar um pênalti com cavadinha e jogar nas mãos de Felipe. Neymar desempataria no início do segundo tempo, mas Ronaldinho Gaúcho faria mais dois gols e daria a vitória ao time carioca, por espetaculares 5 a 4. Campeão da Libertadores um mês antes e sem possibilidades de lutar pelo título brasileiro, o Santos esperava apenas pelo Mundial, no fim do ano.

Ao contrário de outros gols Puskás, obtidos com vistosos arremates de fora da área, ou de uma jogada rápida, ou mesmo fortuita, o gol de Neymar contra o Flamengo foi uma obra de arte tecida desde a intermediária, que em 11 segundos deu tempo a todos os torcedores da Vila Belmiro se prepararem para admirar o seu maravilhoso desfecho. E não esquecê-lo.

Santos 4 x 5 Flamengo

27 de julho de 2011, quarta-feira, 21h50
Vila Belmiro, 12ª rodada do Brasileiro
Público e renda: 12.968 pagantes, R$ 312.040,00
Arbitragem: André Luiz de Freitas Castro (Asp.Fifa-GO), auxiliado por Márcio Eustáquio Santiago (Fifa-MG) e Erich Bandeira (Fifa-PE).

Santos: Rafael, Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Ibson, Elano (Alan Kardec) e Ganso; Neymar e Borges. Técnico: Muricy Ramalho.

Flamengo: Felipe, Leonardo Moura, Ronaldo Angelim, Welinton (David Braz) e Junior Cesar; Willians, Luiz Antônio (Bottinelli), Renato Abreu e Thiago Neves; Ronaldinho Gaúcho e Deivid (Jean). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Gols do Santos: Borges aos 4 e aos 15 minutos do primeiro tempo; Neymar aos 25 minutos do primeiro e aos 5 do segundo tempo.

Gols do Flamengo: Ronaldinho Gaúcho, aos 28 minutos do primeiro, aos 22 e aos 36 do segundo tempo; Thiago Neves, aos 31 e Deivid, aos 43 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Léo e Neymar (Santos); Welinton, Willians, Thiago Neves, Renato Abreu e Bottinelli (Flamengo).