Odair, um Menino da Vila

Odair, um Menino da Vila

Por Gabriel Davi Pierin, do Centro de Memória

Odair, assim como outros garotos que sonhavam se tornar jogadores de futebol, começou nos campos de várzea de Santos jogando pelo Lanús, time inspirado no homônimo argentino. Lá o franzino Odair dos Santos se destacava pela agilidade e facilidade de marcar gols. Muitos gols.

Mas foi nas “Manhãs Esportivas”, promovidas pelo Santos, que o garoto bom de bola, nascido em 7 de dezembro de 1925, acabou descoberto. Tinha apenas 17 anos quando estreou na equipe principal, no amistoso contra o combinado Portuguesa Santista/Jabaquara. Odair não marcou, mas seu companheiro de equipe, Antoninho, fez dois gols na goleada por 5 a 1. Juntos, Odair e Antoninho formariam uma das maiores duplas ofensivas da história do Alvinegro.

O grande time do Santos do final da década de 1940 atraía milhares de torcedores para a Vila Belmiro. Odair era a grande esperança de gols e de vitórias. No dia 3 de outubro de 1948 um público recorde lotou o estádio Urbano Caldeira. Um total de 21 765 pessoas foram ao delírio com a virada espetacular do Santos sobre o São Paulo, nos minutos finais da partida, e invadiram o gramado para abraçar seus heróis.

Centroavante nato, Odair se tornaria o artilheiro máximo do Santos de 1948 a 1951. Dono de uma marca histórica, o gol 3 000 da história do clube, na goleada por 4 a 1 contra o Nacional, pelo Campeonato Paulista de 1950, Odair ainda assinalou feitos importantes, como os cinco gols santistas na vitória por 5 a 4 contra o Comercial da capital, dia 29 de agosto de 1948, na Vila Belmiro.

O artilheiro permaneceu no Santos até 1952, quando se transferiu para o Palmeiras. Encerrou sua carreira no Jabaquara, ao lado de Antoninho e Nicácio, seus companheiros do Peixe.

O garoto mirrado, e por isso apelidado de Titica, começou vendendo jornais no centro de Santos. Virou ídolo e um dos maiores artilheiros da história do Santos Futebol Clube. Depois de encerrada a carreira, Odair trabalhou na estiva do Porto de Santos e, por dez anos, na loja de artigos esportivos do amigo Carlos Pierin, o goleiro Lalá.

O grande artilheiro faleceu em 7 de maio de 1996, aos 70 anos, na sua cidade natal, e deixou seu nome na história do clube e do futebol brasileiro. Em 225 jogos com a camisa do Santos marcou 134 gols e é o décimo quarto maior artilheiro do clube.