O Santos de Pelé, Coutinho e Pepe reina em Paris

O Santos de Pelé, Coutinho e Pepe reina em Paris

Por Guilherme Guarche e Odir Cunha, do Centro de Memória

Na primeira vez que venceu o Torneio de Paris, em 9 de junho de 1960, uma quinta-feira à noite em que jogou para um público de 40 mil pessoas que lotava o Parc des Princes e goleou o Racing de Paris por 4 a 1, o Santos foi aplaudido e reverenciado como se fosse francês. Havia uma gratidão no ar pelo simples fato de os mágicos santistas estarem ali.

Na verdade, o Santos fora recebido com uma espécie de maravilhamento  pelos franceses. O estrondoso sucesso da excursão europeia de 1959 mostrava-se ainda maior. Em 1960, nos cinco primeiro jogos em gramados europeus os espetaculares atacantes brasileiros tinham marcado 34 gols, média inacreditável de 6,8 gols por jogo. Desses, Pelé fizera 13; Coutinho, 10 e Pepe, cinco, justamente os jogadores, além de Zito, que os parisienses mais queriam ver.

As expectativas se confirmaram plenamente logo na estreia do Alvinegro Praiano no torneio, contra o prestigiado Stade de Reims, vice-campeão europeu de 1956 e 1959, oportunidades em que foi derrotado – por 4 a 3 e 2 a 0 – pelo poderoso Real Madrid de Puskas e Di Stéfano.

Com grandes jogadores, como o goleiro Dominique Colonna, o defensor Robert Jonquet e os atacantes Jean Vincent, Raymond Kopa e Roger Piantoni, o Stade de Reims compartilhou com o Santos um dos exemplos mais bem-acabados do futebol-arte que se praticava naqueles tempos.

Em um início alucinante, Coutinho abriu o marcador a um minuto de jogo; Pelé, em uma obra-prima, ampliou aos cinco, Piantoni diminuiu aos oito e Coutinho voltou a marcar aos 10. Apenas dez minutos e o Santos vencia por 3 a 1, provocando sorridos rasgados e olhares estupefatos da plateia.

Aqui é preciso abrir parênteses para falar do gol de Pelé. Ele havia chutado uma bola na trave, Dorval, deslocado pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou para trás. Lima dominou na entrada da área e tentou o drible, mas, bloqueado, caiu. Então, Pelé pegou a bola, driblou cinco jogadores em um espaço de cinco metros e tocou na saída do goleiro. Como esse lance parece mentira, ou magia, postamos aqui um link para você testemunhar a jogada no Youtube, em um vídeo postado por Romano:

Mas ainda havia muito jogo. Piantoni voltou a marcar nos acréscimos do primeiro tempo e aos cinco minutos do segundo, empatando a partida. O Parc dês Princes virou uma loucura e a pressão sobre os santistas era enorme, mas Coutinho desempatou aos 19 e Pepe fez o quinto aos 28, definindo os 5 a 3 finais.

Dois dias depois, já como franco favorito, o Santos entrou no mesmo estádio, diante de um público tão numeroso como o anterior, e goleou o Racing de Paris por 4 a 1, depois de terminar a primeira etapa com a vantagem de 1 a 0, gol de Coutinho. O Alvinegro chegou a 3 a 0 antes do único gol do Racing, de Ujlaki. Nessa partida, Coutinho fez dois gols, completados com um de Pepe e um de Pelé.

Todos os nove gols do Santos no Torneio de Paris de 1960 foram marcados por esses três iluminados atacantes: Coutinho, cinco; Pelé e Pepe, dois cada um. O troféu dessa inesquecível conquista está exposto no Memorial das Conquistas da Vila Belmiro. Vá ver de perto. Aprecie e valorize a incomparável história santista.