Maestro Mengálvio faz 81 anos

Maestro Mengálvio faz 81 anos

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Definido por Pelé como “um jogador de grande habilidade, criativo, dinâmico e inteligente, com um fôlego privilegiado que o permitia atacar e defender com a mesma intensidade”, o catarinense Mengálvio Figueiró, que nesta quinta-feira, 17 de outubro, completa 81 anos, veio ao Santos não só para dar equilíbrio ao meio-campo do time, como ditar o ritmo daquele que seria considerado o melhor time de todos os tempos.

Embora tenha nascido em 17 de outubro de 1938, Mengálvio Figueiró foi registrado por seu pai no dia 17 de dezembro do mesmo ano. Um dos onze filhos do casal Antônio Figueiró e Maria Florisbela Figueiró, em Laguna, litoral de Santa Catarina, Mengálvio veio ao mundo numa segunda-feira e recebeu dos pais o nome de Mengálvio Figueiró, embora na certidão de batismo conste como Mengálvio Pedro Figueiró.

Quinto filho do casal que teve onze herdeiros – sete mulheres e quatro homens –, Mengálvio seguiu a carreira futebolística, como seus irmãos. Curiosamente, seu pai, o maestro Figueiró, regente da banda principal de Laguna, não gostava de futebol e se dedicava à música.

Mengálvio começou no futebol defendendo o Clube Esportivo Aimoré, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Em 1957 a equipe teve boa participação no Campeonato Gaúcho e o futebol daquele garoto esguio, de 18 anos, foi tão destacado pela imprensa esportiva de Porto Alegre que no ano seguinte o rapaz já estava na Seleção Brasileira que disputou o Pan-Americano da Costa Rica.

Outros grandes clubes se interessaram por Mengálvio, mas o Santos foi mais rápido. O time precisava com urgência de um jogador que substituísse o veterano Jair Rosa Pinto, e o técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, por indicação do zagueiro gaúcho Raul Donazar Calvet, insistiu para que o contratado fosse o jovem catarinense.

Quando fez sua primeira partida pelo Alvinegro Praiano, Mengálvio tinha 21 anos e sua estreia se deu no empate de 2 a 2 com a Portuguesa de Desportos, em 19 de abril de 1960, no Pacaembu, pelo Torneio Rio-São Paulo. Mengálvio entrou no lugar de ele entrou no lugar de Ney Blanco. O Santos jogou com Laércio, Feijó, Mauro e Zé Carlos; Calvet (Formiga) e Zito; Dorval, Ney Blanco (Mengálvio), Coutinho, Pelé e Pepe. Os gols santistas foram de Ney Blanco e Zito.

Nessa partida nascia também aquele que é conhecido pelo como “O Ataque dos Sonhos”, pois além de Mengálvio tinha também Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Os cinco craques jogariam juntos em 97 partidas, conquistando 68 vitórias, empatando 11 e perdendo 18 partidas; marcando 314 gols e sofrendo 155, com uma média assombrosa de 3,23 gols marcados por partida. A última vez em que atuaram juntos ocorreu em 9 de janeiro de 1966, na Costa do Marfim, na goleada de 7 a 1 sobre a equipe do Stade Clube Abdjan.

De um futebol clássico e elegante, Mengálvio foi campeão mundial pelo Brasil em 1962, no Chile, na reserva de Didi, e da Copa Rocca em 1963. Com 1,79m e 68 quilos ele era conhecido como um falso lento. Na verdade, conseguia manter o mesmo ritmo durante toda a partida.

No fantástico time do Santos ele fazia o papel de meia-direita, mas na prática jogava recuado, fazendo a função de um médio-volante protetor da zaga, enquanto Zito era quem apoiava mais o ataque.

Em 1968 Mengálvio foi emprestado ao Grêmio, e em 1969 ao Millonarios, da Colômbia, onde chegou a conquistar o Torneio Finalización. De 1960 a 1969 jogou 369 partidas pelo Alvinegro da Vila Belmiro, marcando 27 gols. Encerrou sua carreira em 1971 e continuou vivendo na Baixada Santista, onde se casou com Claudina de Moraes e teve três filhos.

Tipo bonachão, um tanto desligado fora de campo, Mengálvio tinha o apelido de Pluto e era alvo de muitas brincadeiras dos colegas. No livro “Bombas de Alegria”, José Macia, o Pepe, conta que logo após a conquista do Mundial do Chile, em 1962, o presidente da República João Goulart recebeu a delegação brasileira em banquete na Granja do Torto e Mengálvio apertou a mão do presidente e deixou com ele um bilhete solicitando que olhasse por seu irmão, que fora aprovado em um concurso público de âmbito federal. Todos ironizaram o meio santista pelo seu ato ingênuo. Três semanas depois, porém, o irmão de Mengálvio foi chamado e conseguiu o emprego ao qual fazia por merecer.