Impossível, palavra que não existe…

Impossível, palavra que não existe…

Por: Odir Cunha

Ao menos no futebol qualquer criança sabe que tudo pode acontecer. Quem diria que depois de viver o pior primeiro semestre de sua existência, no segundo semestre de 2002 o Santos seria campeão brasileiro com um time de meninos? Quem poderia imaginar, ainda, que mesmo sem Pelé, Calvet e Zito, o nosso Glorioso Alvinegro Praiano viraria paras 4 a 2 o jogo que perdia de 2 a 0 para o Milan e caminharia para ser o primeiro bicampeão mundial da história? Pois é, há tantas histórias assim que o torcedor, sabiamente, apelidou o Santos de “o time da virada”.

A tarefa é das mais árduas nesta quarta-feira, a partir das 19h30, no Mineirão, quando o Santos precisará vencer o Cruzeiro para se classificar para a semifinal da Copa do Brasil. Vitória por um gol de diferença levará a decisão para os pênaltis, triunfo por dois gols ou mais classificará o Alvinegro automaticamente.

Uma curiosidade natural do torcedor é saber quantas vezes o Santos já ganhou do Cruzeiro no Mineirão e quais foram os resultados. Pois eu lhes digo que em 30 jogos no grande estádio de Belo Horizonte o Santos obteve seis vitórias. São elas:

03/10/1971 – Santos 1 x 0 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – Mineirão

03/09/1986 – Santos 3 x 2 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – Mineirão

02/08/1998 – Santos 2 x 1 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – Mineirão

13/10/2002 – Santos 4 x 1 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – Mineirão

03/10/2007 – Santos 1 x 0 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – Mineirão

30/08/2015 – Santos 1 x 0 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro – Mineirão

Na soma geral de confrontos entre as duas equipes, segundo o Centro de Memória do Santos Futebol Clube, há um equilíbrio irritante. Em 78 jogos ocorreram 28 vitórias para cada lado e 22 empates, mas o Santos marcou 124 gols, 12 a mais do que o adversário. Bem, agora vamos a uma doce goleada santista lembrada por Guilherme Gomez Guarche:

Uma goleada inesquecível

Guilherme Gomez Guarche

Uma goleada que não pode ser esquecida pelos torcedores do Santos aconteceu em um 30 de março, na segunda fase do Campeonato Brasileiro de 1983, no Morumbi, dia em que o Peixe venceu a Raposa por 5 a 0, com o endiabrado Serginho Chulapa marcando três gols, um deles de pênalti.

Era a décima segunda vez que o goleador nascido na capital paulista vestia a camisa do time do seu coração. Serginho foi contratado naquele ano de e deu muitas alegrias à gente santista, sendo, até hoje, um dos grandes ídolos do Peixe.

No intervalo dessa partida o time santista já desceu para os vestiários vencendo por 4 a 0, com dois de Chulapa, um de Serginho Secundino e outro de Paulo Isidoro. Vale destacar que a fragilidade do time cruzeirense se deu também em função de a equipe ter tido três jogadores expulsos: Osires, Palhinha e Joãozinho.

O estádio são-paulino, palco dessa histórica goleada, nesse dia recebeu um público de 44.923 espectadores para assistir à exibição de gala do Alvinegro, que formou com Marolla, Toninho Paraná (depois Toninho Carlos), Joãozinho, Márcio Rossini e Gilberto Sorriso; Dema, Pita e Paulo Isidoro; Serginho Secundino (Camargo), Serginho Chulapa e João Paulo. O técnico era Chico Formiga.

Já o time azul-celeste de Minas formou com Vitor, Alves, Silva, Ailton e Ozires; Douglas, Palhinha e Tostão (Jesúm); Mauro, Edmar (Eugênio) e Joãozinho. Seu técnico era Orlando Fantoni.

Na etapa complementar o Santos “puxou o freio de mão” e jogou sem muito empenho. Chulapa marcou o quinto gol e mais nada aconteceu. Tivesse o onze praiano mostrado mais determinação e empenho, e o placar teria sido bem mais dilatado, com certeza.

No gol da equipe cruzeirense estava o goleiro Vitor Braga, que fora campeão paulista pelo Santos em 1979, título este referente ao ano anterior, na chamada geração dos “Meninos da Vila”, cujo técnico era o mesmo Chico Formiga.