História versus Popularidade

História versus Popularidade

Por Odir Cunha, do Centro de Memória
Estatísticas por Gabriel Santana e Guilherme Guarche

Sempre que Santos e Flamengo se encontram, como ocorrerá neste sábado, às 17 horas, no Maracanã – jogo que valerá o título do primeiro turno do Campeonato Brasileiro –, entram em campo os dois fatores primordiais para compor o chamado “peso” de uma camisa no futebol: os feitos históricos e as conquistas de um time, no caso o Santos, e a enorme popularidade representada por milhões de torcedores no Brasil, maior trunfo do rubro-negro carioca.

Não que um não tenha muito das características do outro. Com uma torcida estimada de cinco a sete milhões de pessoas que se espalham pelas cinco regiões do País, além de ser o time brasileiro com mais fãs no exterior – mais de um milhão – o Santos também pode ser considerado um time de massa, mas nada que se compare com os cerca de 30 milhões de torcedores do Flamengo.

O clube carioca também tem títulos importantes, como cinco Campeonatos Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial, mas mesmo com 17 anos e sete meses a mais de vida do que o Santos, ainda está distante dos oito Brasileiros, as três Libertadores e os dois Mundiais conquistados pelo Alvinegro Praiano.

Outro detalhe histórico incomparável é que o Santos teve Pelé, o Rei do Futebol, por 17 anos seguidos, além de uma equipe repleta de astros, como Gylmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira, Zito, Clodoaldo, Coutinho, Pepe, o que o tornou a base da Seleção Brasileira que conquistou as Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, no período áureo do futebol arte, e o fez ser eleito, em uma enquete mundial feita pela revista El Gráfico, como o melhor time de futebol de todos os tempos.

Nas decisões, vantagem santista

O jogo de domingo define a liderança do primeiro turno desse Campeonato Brasileiro, mas Santos e Flamengo já fizeram a final de dois Brasileiros e um Torneio Rio-São Paulo, com dois desses troféus conquistados pelos santistas e um pelos rubro-negros.

Em dezembro de 1964 ambos jogaram uma melhor-de-três para definir o campeão da Taça Brasil daquele ano, equivalente ao Campeonato Brasileiro atual. A primeira partida foi realizada dia 16, uma quarta-feira à noite, no Pacaembu, e a segunda no sábado, dia 19, no Maracanã. O árbitro dos dois jogos foi Armando Marques, considerado o melhor da época.

Em São Paulo, diante de um público de 26.897 torcedores, o Santos venceu por 4 a 1, depois de uma vantagem de 1 a 0 no primeiro tempo. Pelé, três vezes, e Coutinho, marcaram para o Alvinegro, enquanto Paulo Choco fez o único gol dos cariocas. No jogo de volta, assistido por 52.508 pessoas, o marcador não foi alterado e, com o empate, o Santos se sagrou tetracampeão brasileiro.

Os times voltaram a se enfrentar em uma decisão de Brasileiro em maio de 1983. Novamente o primeiro jogo foi realizado em São Paulo, e o Santos venceu por 2 a 1, com gols de Pita, no primeiro tempo, e Serginho Chulapa no segundo. Baltazar fez o único do Flamengo. Um público de 119.984 pessoas assistiu ao jogo, arbitrado por José de Assis Aragão.

No Rio de Janeiro, com público de 155.523 torcedores, um recorde ainda atual na história dos Brasileiros, o Santos seria campeão com um empate, mas perdeu por 3 a 0. Na semana passada o árbitro Arnaldo César Coelho admitiu, no Sportv, que errou ao não marcar um pênalti em Pita quando o Santos perdia por 1 a 0 – da mesma forma que Márcio Rezende de Freitas reconheceu que errou ao invalidar o gol de Camanducaia na final de 1995, contra o Botafogo.

A terceira decisão de título ocorreu em fevereiro de 1997 e valeu pelo Torneio Rio-São Paulo. No Morumbi, dia 4 de fevereiro, uma terça-feira, com público de 24.236 pessoas e arbitragem de Cláudio Vinícius Cerdeira, o Santos venceu por 2 a 1, com gols de Alessandro e Macedo no primeiro tempo (Marcelo Ribeiro diminuiu no segundo).

Dois dias depois, em um Maracanã tomado por 70.729 pessoas, diante de um time que se gabava de ter o “ataque dos sonhos”, naquela noite representado por Romário e Sávio, o Santos saiu na frente, com Anderson Lima, cobrando falta; sofreu a virada ainda no primeiro tempo, com dois gols de Romário, mas buscou o empate aos 32 minutos da segunda etapa, por meio de míssil aleatório do lateral-esquerdo Juari que entrou no ângulo direito da meta de Zé Carlos.

Assim, nos seis jogos realizados nas três decisões de títulos, o Santos obteve três vitórias, dois empates e uma derrota, marcou dez gols e sofreu oito. No retrospecto geral dos confrontos entre Santos e Flamengo, porém, prevalece o equilíbrio.

Pela história, Santos tem 26,4% de chances de vencer no Maraca

Na soma geral dos 124 confrontos entre os dois times, o Santos tem três vitórias e 27 gols de vantagem, pois obteve 46 triunfos, 35 empates e perdeu 43 vezes. Marcou 194 gols e sofreu 167. Mas no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, a vantagem é flamenguista.

Em 34 partidas realizadas no ex maior estádio do mundo, o Santos venceu nove, empatou nove e perdeu 16, marcou 31 gols e sofreu 42. Isso quer dizer que, baseado nesse retrospecto histórico, o Alvinegro tem 26,4% de possibilidade de vencer neste sábado, resultado que o faria terminar o primeiro turno do Brasileiro na liderança.

Uma curiosidade é que a maior goleada do clássico ocorreu justamente no Maracanã. Na noite de 11 de março de 1961, pelo Torneio Rio-São Paulo, o Santos goleou o Flamengo por 7 a 1, com três gols de Pelé, dois de Pepe, um de Coutinho e um de Dorval.

Por fim, se forem computados todos os duelos pelo Campeonato Brasileiro, o equilíbrio é flagrante: em 72 jogos foram 24 vitórias santistas, 25 flamenguistas e 23 empates, com 81 gols do Alvinegro e 74 do Rubro-negro.

Artilheiros santistas do duelo no Brasileiro

1 – Pelé e Neymar, 4 gols.
3 – Edu, Serginho Chulapa, Viola, Robert e Robinho, 3 gols.