Formiga, um mestre dentro e fora do campo

Formiga, um mestre dentro e fora do campo

Por Gabriel Santana, do Centro de Memória

Conhecido por ter um grande DNA ofensivo e se destacar no quesito gols, o Santos sempre precisou de grandes defensores para assegurar a retaguarda e dar aos avantes a tranquilidade necessária para atacar o adversário.

O quarto-zagueiro Francisco Ferreira de Aguiar, o popular Formiga, foi um desses grandes defensores da história do Santos, crucial em diversos jogos e títulos do Alvinegro. Nascido em 11 de novembro de 1930, em Araxá, Minas Gerais, veio do juvenil do Cruzeiro em maio de 1950, Na equipe mineira ganhou o apelido de “Formiga”, devido ao físico franzino.

Na Vila Belmiro passou pela equipe de aspirantes, mas rapidamente foi lançado no profissional. Sua estreia no time principal ocorreu em sua Minas Gerais, em amistoso contra a Seleção de Juiz de Fora, pelas festividades de 100 anos daquela cidade, em 28 de maio de 1950. No final, vitória do time santista por 2 a 1, com gols de Antoninho e Odair.

Em seus dois primeiros anos Formiga buscou espaço na equipe santista e se revezou entre a titularidade e a suplência. Mas em pouco tempo todos perceberam que se trava de um zagueiro de classe, com muita técnica para desarmar e sair com a bola.

Iniciou a temporada de 1952 como titular, atuando ora como quarto-zagueiro, ora como volante, e se tornou uma referência defensiva, ficando sempre entre os melhores do setor no Campeonato Paulista. Foi peça fundamental do time bicampeão Paulista de 1955/56.

Transferência e retorno

No início de 1957 Formiga foi cedido ao Palmeiras por dois milhões de cruzeiros antigos, mais a renda de um jogo entre os dois clubes e os passes em definitivo do meia Jair Rosa Pinto e do goleiro Laércio.

Permaneceu no Palmeiras até 1959, quando acertou seu retorno ao time da Vila Belmiro. Juntou-se ao grande esquadrão que o Santos havia montado e conquistou mais três Campeonatos Paulistas, dois Campeonatos Brasileiros, a Copa Libertadores e o Mundial de 1962, além de torneios amistosos pela Europa.

Com 410 jogos e dois gols atuou pelo Santos pela última vez no dia 9 de dezembro de 1962, em partida pelo Campeonato Paulista contra a Esportiva de Guaratinguetá, que terminou com a vitória do Peixe por 2 a 1.

Professor Chico Formiga

Ao encerrar a carreira de jogador, Francisco Formiga ingressou no departamento amador do Santos e dirigiu a equipe infantil do clube. Anos mais tarde, teve a oportunidade ser o treinador da equipe principal e deixou seu nome na história santista também como técnico.

Teve três passagens como treinador do Peixe: 1978-1979, 1982-1984 e 1986-1987. A principal delas foi a primeira, quando liderou um elenco recheado de jovens ao título paulista de 1978. Como Formiga se referia aos jogadores como “meus meninos”, daí surgiu a expressão “Meninos da Vila” para designar a equipe composta por Juary, Pita, Nilton Batata, João Paulo, Aílton Lira e outros.

Chico Formiga também dirigiu o Santos no vice-campeonato brasileiro de 1983. Mais um jogador que escolheu a bela Santos para viver com a família, Formiga faleceu em São Vicente, em 22 de maio de 2012, aos 81 anos, vítima de enfarte. Ele foi o sexto treinador que mais dirigiu o Alvinegro Praiano. No total, comandou a equipe em 250 partidas, com 114 vitórias, 80 empates e 56 derrotas.