De vendedor de siri a craque da camisa 10

De vendedor de siri a craque da camisa 10

Por Gabriel Santana, do Centro de Memória

Quando pequeno, Edivaldo Oliveira Chaves, o Pita, vendia siris na praia do Jardim Casqueiro para ajudar a família. Mas esse carioca, nascido em Nilópolis em 4 de agosto de 1958, era bom mesmo com uma bola no pé. Isso ficou evidente quando, aos 13 anos, foi convidado para disputar um campeonato de futebol de areia.

A atuação do canhoto habilidoso chamou a atenção da direção da Portuguesa Santista, e na Briosa Pita iniciou sua carreira futebolística. Dois anos depois, porém, já atuava pelos juvenis do Santos.

Promovido à equipe principal em 1977, pelo técnico e ídolo Ramos Delgado, Pita estreou no Santos em 20 de novembro de 1977, em um amistoso em Salta, Argentina, contra o combinado Juventud Antoniana/Gimnasia Iburra.

Jogado no estádio Fray Honorato Pistoia, o jogo apresentou amplo domínio do Alvinegro Praiano, que goleou por 6 a 3, com gols de Juary (2), João Paulo, Gilberto Sorriso, Ailton Lira e Clodoaldo.

Mas foi no ano de 1978 que Pita se firmou na equipe titular do Peixe, comandada pelo eterno Chico Formiga. Com um grande talento para armar e concluir as jogadas, o garoto tímido que se transformava em campo, comandou o time na conquista do Título do Paulista de 1978, obtido em junho de 1979.

Jogador que aliava a categoria dos grandes meias do passado com a facilidade para dar um rápido andamento às jogadas, Pita geralmente iniciava os ataques mortais dos “Meninos da Vila” e foi o primeiro atleta a vestir com maestria a camisa 10 deixada pelo Rei Pelé.

Meninos da Vila
A geração de 1978 foi a primeira a ser intitulada “Meninos da Vila”, nome dado pelo mineiro Chico Formiga. Dos 56 jogos disputados na edição do estadual de 1978, Pita esteve presente em 51. Foi um dos estaduais mais longos da história do futebol brasileiro, findando apenas em junho de 1979, quando o Peixe levou a melhor nas finais diante do São Paulo.

40 anos da conquista
O inesquecível título completou 40 anos em 2019 e para celebrar a conquista o Santos FC realizou uma linda festa em seu museu, o Memorial das Conquistas. No evento, Pita pôde reencontrar seus antigos companheiros e amigos, como Juary, João Paulo, Joãozinho, Clodoaldo, Gilberto Sorriso e muitos outros. Pôde também reafirmar seu amor ao Santos, clube que o revelou.

Sete anos
Foram sete anos vestindo a camisa 10 do Santos. Antes de deixar a Vila Belmiro Pita também esteve próximo de também conquistar o título brasileiro de1983. Na ocasião, o Peixe ficou com o vice-campeonato, após vencer o Flamengo no Morumbi e perder no Maracanã (no jogo do Maracanã ele sofreu um pênalti claro do zagueiro Marinho, não marcado pelo árbitro Arnaldo César Coelho). Disputou 408 jogos com o manto santista, sendo o 17º atleta que mais atuou pelo time de Vila Belmiro. Além de comandar o meio de campo e contribuir com diversas assistências, marcou 55 gols com o sagrado manto alvinegro.

Transferência
Em junho de 1984 Pita foi negociado com o São Paulo, em uma troca que envolveu a vinda de Zé Sergio e Humberto para o Peixe. Atuou ainda pelos clubes Racing Strasbourg (França), Guarani, Fujita Industrial (Japão), Nagoya Grampus (Japão) e encerrou a carreira na Internacional de Limeira, em 1994.