Cláudio Adão, um autêntico cigano do futebol 

Por Guilherme Guarche, Centro de Memória 

Volta Redonda cidade conhecida como a “Cidade do Aço”, no estado do Rio de Janeiro, situada no Sul Fluminense, distante 130 km da capital é a terra natal de Cláudio Adalberto Adão, que lá veio ao mundo no dia 2 de julho de 1955 e ainda menino fixou residência em Cubatão, na Baixada Santista. 

Os primeiros passos no mundo da bola ele deu quando jogou nas equipes menores da Portuguesa Santista e aos 12 anos foi a revelação no campeonato mirim da cidade chamando a atenção de José Macia, o Pepe que o indicou para testes no Santos. 

Cláudio Adão era um jovem de porte físico perfeito e não tinha medo de cara feia, lutava pela posse da bola com muita vontade. A torcida santista que o via jogar acreditava que aquele atacante afrodescendente pudesse ser o substituto ideal de Pelé que já estava em seus últimos anos na carreira. 

Com grande qualidade para definir jogadas e colocar a bola no fundo das redes, sua primeira participação do time principal do Alvinegro da Vila Belmiro ocorreu no dia 4 de abril de 1973, aos 17 anos de idade na partida válida pelo Campeonato Paulista 

E no ano de sua estreia na equipe santista ele ajudou o clube a conquistar o seu 13º título de Campeão Paulista, ele jogou o certame ao lado de craques como: Cejas; Marinho Perez, Carlos Alberto, Clodoaldo, Jair da Costa, Mané Maria, Brecha, Pelé e Edu.  

Os analistas de futebol viam nele um artilheiro nato que muita alegria haveria de dar à torcida do Peixe e um momento marcante em sua carreira foi quando ele jogou na partida de despedida do Rei Pelé em 2 de outubro de 1974, na Vila Belmiro na vitória diante da Ponte Preta por 2 a 0, sendo que um dos gols do Peixe foi de sua autoria e o outro de Geraldo contra ele foi o último centroavante a jogar ao lado do Rei Pelé.  

No ano de 1976 vinha despontando como um dos ídolos no ataque do time santista, porém a sorte foi sua madrinha e por pouco devido a uma grave contusão por ele sofrida em uma partida no Estádio Mário Alves de Mendonça ele não teve sua carreira encerrada para sempre. 

Nessa jornada infeliz do centroavante no dia 2 de maio, na derrota do Peixe para o América por 2 a 0, ele fraturou a tíbia e o perônio. O Santos nesse triste dia que era dirigido por Alfredinho Sampaio formou com: Wilson Quiqueto; Tuca, Bianchi, Fausto e Fernando; Clodoaldo e Carlos Roberto; Edu, Cláudio Adão (Babá),Toinzinho e Admundo (César). 

Devido a essa grave lesão por ele sofrida teve de ausentar-se do time santista por um longo período não mais sendo aproveitado no time do Peixe pelo qual jogou 134 partidas e marcou 51 gols, e seu passe em 1977 foi negociado com o time do Flamengo indo fazer dupla de área com o goleador Zico. 

“Antes da negociação, o atleta passou por sete cirurgias e falou que:” Nunca cheguei a pensar que ficaria fora do futebol. Sempre tive fé. Sou devoto de Nossa Senhora Aparecida”   que ainda hoje mantém o hábito de ir à catedral no município de Aparecida, no interior de São Paulo, uma vez por mês. 

Tinha início ali uma autêntica peregrinação de um dos jogadores mais rodados do futebol brasileiro, incluindo todos os grandes do Rio, além de Corinthians, Cruzeiro, Bahia, Portuguesa, Bangu, Santa Cruz, Ceará e Benfica. Foi na equipe da Desportiva do Espírito Santo que ele encerrou em definitivo sua carreira com um dos grandes artilheiros do futebol brasileiro marcando ao todo 591 gols. Após o término da carreira dirigiu alguns clubes como o Volta Redonda de sua terra cidade natal e o CSA em Alagoas. Na sequência tentou a carreira de treinador, e dirigindo alguns clubes, como Volta Redonda-RJ e CSA-AL.                                                                     

Cláudio Adão, o cigano da bola atualmente mora no Rio de Janeiro é casado com Paula Barreto, filha do diretor de cinema Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto e é pai de Felipe Adão que seguiu os passos do pai tornando-se também um jogador de futebol profissional.