A noite de Molina

A noite de Molina

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

A Copa Libertadores de 2008 não começou bem para o Santos. O time foi  a Oruro, na Bolívia, e diante de um público de 18 mil pessoas, entre elas o presidente boliviano Evo Morales, perdeu por 2 a 1, de virada. O jogo de volta, em 1º de abril, terça-feira, seria decisivo. Como os bolivianos, que se davam tão bem na altitude de 3.735 metros, se sairiam na Vila Belmiro?

Para a revanche o técnico Emerson Leão mandou a campo Fábio Costa, Dênis (depois Fabão), Betão, Domingos e Kleber; Marcinho Guerreiro, Rodrigo Souto, Molina e Rodrigo Tabata (Quiñonez); Wesley (Tiago Luís) e Kleber Pereira. Na arbitragem, Liber Prudente, do Uruguai.

O atrevido San José veio completo. O técnico Marcos Ferrufino pôde escalar até Cerrutti e Garcia, autores dos gols na Bolívia. O desafio atraiu 8.340 torcedores à Vila Belmiro. Mas a aflição não durou muito.

Após muita pressão, aos 17 minutos surgiu o gol do zagueiro Domingos, e a partir daí o time deslanchou. O colombiano Molina ampliou aos 22 e 32 e a primeira etapa terminou assim. Na segunda, Molina voltou a marcar mais duas vezes, e Kleber Pereira e Quiñonez completaram os 7 a 0 acachapantes.

O meia colombiano, autor de quatro gols nesse encontro, Mauricio Alejandro Molina Uribe, o “Mau Molina”, jogou pelo Alvinegro Praiano em 2008 e 2009 e marcou 17 gols em 78 partidas, sendo o terceiro maior artilheiro estrangeiro na história do Santos, atrás do argentino Echevarrieta, que assinalou 20 gols, e também do colombiano Copete, até a data presente com 26 gols.

Craque que sangra

Os torcedores santistas gostavam da garra de Molina, que jogava com a mítica camisa 10. Um episódio que rendeu ao colombiano o apelido de “craque que sangra” ocorreu na partida contra o Nuevo Cúcuta, na mesma Libertadores/2008, quando ele não aceitou ser substituído após um choque com o goleiro adversário que fez seu nariz sangrar. Após a vitória, por 2 a 0, em que o time teve um jogador expulso e Molina fez um gol, ele disse:

“Quanto a torcida começou a cantar que o Santos é amore paixão, eu quis deixar o coração dentro de campo. O nariz estava sangrando muito, mas eu briguei para ficar. Queria ir até o último esforço”.

Ao deixar a Vila Belmiro, Molina foi jogar no futebol da Coreia do Sul e lá permaneceu até 2016, voltando para o Independiente de Medelin, na Colômbia, onde pendurou as chuteiras aos 37 anos de idade – para tristeza de muitos torcedores do Santos, que o queriam de volta à Vila Belmiro.

Maiores goleadas do Santos na Libertadores

A maior goleada aplicada pelo Santos em jogos válidos pela Copa Libertadores ocorreu em 28 de fevereiro de 1962, quando o Alvinegro venceu o Cerro Porteño, do Paraguai, por 9 a 1. A segunda maior foi 8 a 0 sobre o Bolivar, da Bolívia, em 10 de maio de 2012. Os 7 a 0 da noite de Mao Molina representaram a terceira maior goleada. As três exibições tiveram a Vila Belmiro como palco.