A desforra no Alçapão Santista

Por Guilherme Guarche do Centro de Memória

O sabor amargo da derrota no ano anterior ainda se fazia sentir em Vila Belmiro e talvez por isso ganhar o Campeonato Paulista de 1960 tinha um gosto de revanche para os santistas. O time havia perdido o campeonato do ano anterior em uma “melhor de três” para o Palmeiras e o destino armou novamente o clássico paulista na última rodada do certame regional.

E a desforra aconteceu em uma noite de sexta-feira, 16 de dezembro de 1960, jornada em que o Estádio Urbano Caldeira recebeu um público entusiasmado que lotou todas as dependências do Alçapão de Vila Belmiro. E o time santista venceu o Palmeiras pelo placar de 2 a 1 ganhando o seu quinto título estadual.

O time daquela noite, escalado pelo técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, jogou com Laércio, Dalmo, Mauro, Zé Carlos, Calvet; Zito, Mengálvio; Sormani (Dorval), Coutinho, Pelé e Pepe.

A vitória representou uma vingança contra o algoz de 1959 e o Santos não só conquistava o Campeonato Paulista de 1960, como inaugurava a década mais vitoriosa de um time de futebol: a década de ouro.

Galeria dos campeões – Parte 1 (Foto/A Gazeta Esportiva)

Com seis pontos ganhos atrás do Alvinegro Praiano, ao alviverde só restava impedir o triunfo do rival. Mas, na Vila, o clima era de vitória. O jogo começou com um Santos irrepreensível. A um minuto Zito recebeu a bola na entrada da grande área e chutou forte e rasteiro para abrir o marcador.

O Santos continuou atacando e levando perigo ao gol adversário, mas o Palmeiras conseguiu equilibrar a partida, encaixando bons contra-ataques. Aos 34 minutos, Zé Carlos derrubou Julinho com uma entrada violenta. Chinesinho cobrou a falta sobre a barreira e a bola ainda bateu na trave antes de procurar as redes do goleiro Laércio. Era o empate.

Pelé ainda fez um lance extraordinário antes do fim da primeira etapa. Recebeu a bola de Pepe no meio da área, matou no peito e completou com um poderoso chute na trave. O empate garantiria o título, mas o Alvinegro queria mais.

O time voltou para a etapa complementar com a mesma disposição. Poderia ter desempatado com Dorval, Pepe e Zito, em chances claras de gol. A vitória acabou vindo dos pés de Pelé. Aos 15 minutos, após fazer uma tabela com Coutinho, o artilheiro máximo do futebol desferiu o chute fatal contra a meta do goleiro Valdir.

O time da capital não se entregava, mas era o Santos quem continuava criando as melhores oportunidades. Pepe quase faz o terceiro gol no último minuto. Em seguida, o árbitro João Etzel Filho apitou o final da partida. Vila Belmiro em festa novamente. Zito e Pelé, o líder e o craque do time, eram os mais radiantes.

Galeria dos campeões – Parte 2 (Foto/A Gazeta Esportiva)

O time santista disputou no certame 34 partidas, alcançou 50 pontos ganhos, com 22 vitórias, seis empates e seis derrotas, marcou 100 gols e sofreu 44 gols. O Rei Pelé novamente foi o artilheiro máximo do certame pela 4ª vez marcando 32 gols, seguido por Pepe (21), Coutinho (10), Sormani (7), Nei (6), Aírton (5), Dorval (5), Pagão (4), Nenê (3), Mengálvio (2), Pavão (1), Tite (1), Zito (1) e marcaram contra a favor do Santos Mário e Darci um gol cada.