Santos, sempre Santos

Santos, sempre Santos

Gabriel Pierin do Centro de Memória

Se existe uma coisa que não muda é a natureza mutável das coisas. A vida e o mundo estão em constante transformação. Nos esportes e no futebol, especificamente, não é diferente.

Quando conhecemos a história do Santos, percebemos que nem a obrigação estatutária foi capaz de segurar o ímpeto das mudanças através do tempo. O artigo 115 do capítulo 20 do Estatuto, aprovado em Assembleia do dia 21 de dezembro de 1921, dizia que o nome e a graphia do club eram imutáveis. Apenas o nome Santos resistiu. Até a palavra “grafia” sucumbiu à variação.

O futebol moderno teve sua origem na Inglaterra. Nada mais natural do que importar dos britânicos seus acessórios, suas regras e seu idioma. As primeiras bolas chegaram aos nossos portos vindas do império da realeza. A terminologia também. Expressões como corner e off-side ainda resistem ao tempo entre os saudosistas, mas ganharam traduções correspondentes no português: escanteio (canto) e impedido (fora de jogo). Outras palavras e expressões foram aportuguesadas, ou seja, receberam uma adaptação fonética, a exemplo de football, team, dribbling, shoot.

Assim como as bolas, tudo o que se referia ao esporte ou aos sports ganhava a denominação inglesa. A prática do foot-ball se espalhava em nosso território ao modo britânico. A sociedade e a imprensa reproduziam o estilo e os costumes ingleses.

Quando o clube foi fundado em 14 de abril de 1912, recebeu o nome de Santos Foot-Ball Club e, assim permaneceu até o ano de 1915, quando ocorreu a primeira alteração.

A sugestão da mudança do nome foi do primeiro secretário, Urbano Caldeira, em Assembleia Geral Ordinária, no dia 25 de julho.  A reunião aconteceu na sede do clube, no Largo do Rosário. Agnello Cícero de Oliveira era o presidente, mas quem presidiu a sessão ordinária foi Sizino Patusca.

O secretário do clube, Urbano Caldeira, foi quem sugeriu a mudança na grafia: “Por minha indicação, fica estabelecido que o nome do club até então “Santos Foot-Ball Club” fique sendo “Santos Football Club” havendo a supressão da letra B na bandeira e no escudo”.

Passaram-se mais de sessenta anos. O clube já tinha ganhado o mundo e Pelé deixado o Santos. Em 23 de fevereiro de 1976, o Santos sofria a segunda e última alteração em sua denominação. Com a aprovação do egrégio Conselho Deliberativo, na ocasião presidido por Modesto Roma, o Gigante da Vila Belmiro, o clube passou a se apresentar como Santos Futebol Clube.