Rodolfo Rodriguez, o paredão uruguaio

Rodolfo Rodriguez, o paredão uruguaio

Gabriel Pierin do Centro de Memória

Na tarde de sábado, 14 de julho de 1984, os 8 046 espectadores presentes na Vila Belmiro ficaram incrédulos com o lance que acabavam de ver. Aos 39 minutos do segundo tempo, na partida contra o América de São José do Rio Preto, Rodolfo Rodriguez usou toda sua elasticidade, reflexo e coragem para praticar uma sequência incrível de defesas. O Santos venceu por 2 a 0, com dois gols de Serginho Chulapa, e ao final da partida o jogador Tarcísio, do América, declarou que “Rodolfo era maior que o gol”.

O goleiro nascido em Montevidéu, em 20 de janeiro de 1956, começou defendendo a meta dos juvenis do Club Atlético Cerro, aos 15 anos de idade.  Durante boa parte de sua infância Rodolfo Rodriguez não tinha a pretensão de se tornar goleiro. Ajudava seu pai no trabalho e queria se formar em Economia para melhorar a vida da família. Mas a vocação falou mais alto.

Sua grande referência de goleiro era o brasileiro Manga, titular do Nacional, também de Montevidéu. Em 1976, um ano depois de ser campeão sul-americano sub-20 pela Seleção Uruguaia, Rodolfo foi contratado justamente pelo Nacional, que ainda procurava um substituto à altura de Manga, que deixara o clube em 1974.

Demorou apenas um ano para o alto e atlético Rodolfo, de 21 anos e 1,87m, conquistar o título de campeão uruguaio pelo Nacional, em 1977. Três anos depois se consagraria como um dos grandes ídolos da história do Nacional, ao conquistar mais uma vez o título uruguaio, a Taça Libertadores da América, diante do Internacional do craque Falcão, e o Mundial Interclubes, batendo o inglês Nottingham Forest, de Brian Clough.

Na meta da Seleção do Uruguai conquistou o Mundialito em 1981 e a Copa América em 1983. Seu último título em solo uruguaio foi mais um campeonato nacional, em 1983. No início de 1984, em busca de um goleiro de prestígio e experiência, o Santos foi contratá-lo para substituir Marolla.

O Nacional dificultou a negociação, solicitando um valor fora do alcance dos cofres santistas. Ciente da situação, o Rei Pelé emprestou 120 mil dólares para que o clube contratasse o grande arqueiro. Na Vila, com extrema autoridade, em poucos meses Rodolfo Rodriguez caiu nas graças da torcida e se tornou um ídolo.

Ao lado de Serginho Chulapa, Rodolfo foi um dos grandes responsáveis pela conquista do título Paulista de 1984. Permaneceu na Vila Belmiro até o final de 1988, quando acertou sua transferência para o Sporting, de Portugal. Jogou ainda pela Portuguesa de Desportos em 1991 e 1992 e encerrou a carreira no Bahia, em 1994.

Com a camisa do Peixe Rodolfo atuou em 255 jogos e é sétimo goleiro que mais jogou pelo Santos. Poucos atletas se identificam tanto com o Santos como ele. Ao lado de Serginho Chulapa, Rodolfo Rodriguez foi o grande ídolo da torcida da década de 1980 e até hoje mantém os laços vivos com o time de Vila Belmiro.

Goleiros de Placa!

Em 18 de julho de 2010 a diretoria santista entregou uma placa para Rodolfo Rodriguez, em homenagem pela inesquecível sequência de defesas na partida contra o América. Ele se tornou o primeiro goleiro na história a receber uma placa comemorativa por uma defesa. Foram três defesas à queima-roupa que até hoje estão presentes na memória do torcedor santista (muitos contam cinco defesas, mas em dois lances a bola bateu no pé da trave).

Dez anos depois, o jovem goleiro João Paulo, também ganhou uma placa pela sua atuação na partida contra o Bahia, no dia 1 de novembro de 2020. O jogo, válido pelo Campeonato Brasileiro, também na Vila Belmiro, terminou com a vitória do Peixe por 3 a 1. João Paulo fez uma sequência de duas grandes defesas e mereceu a homenagem. O goleiro ganhou uma placa, no Estádio Urbano Caldeira, ao lado de outra histórica, a do ídolo Rodolfo Rodriguez.