Del Vecchio, valente e goleador

Guilherme Guarche, do Centro de Memória

No dia 24 de setembro de 1934, nasceu em São Paulo, no bairro da Mooca, Emmanuele Del Vecchio, um jogador raçudo e goleador, lembrado até hoje pelos torcedores da velha guarda do Santos como um dos maiores atletas que o clube já teve em sua centenária história.

Descendente de italianos, filho do Sr. Frank Del Vecchio e da Sra. Alboccini, mudou-se com a família para São Vicente após alguns anos. Lá, o jovem Emmanuele começou a se aventurar no futebol de praia. Recomendado para atuar nos quadros amadores do Santos, iniciou sua jornada na base do Peixe em 1951. Foi campeão nas categorias infanto-juvenil, juvenil e amador, chegando à equipe principal em 1953.

Del Vecchio foi um centroavante de muita habilidade e faro de gol — tanto que foi o artilheiro máximo do Campeonato Paulista de 1955 -, marcando 22 gols. Pelo Alvinegro da Vila Belmiro, ele jogou 177 partidas, marcou 105 gols nos períodos de 1953 a 1957 e 1965 a 1966 e conquistou os seguintes títulos: Campeão Paulista (1955 e 1956), Campeão do Torneio Internacional da FPF (1956) e Campeão do Torneio Rio-São Paulo (1966).

Sua estreia no Peixe aconteceu no dia 3 de outubro de 1953, no Parque Antártica, na vitória diante do Comercial FC pelo placar de 2 a 0. A partida contou com um gol dele e outro de Orlando, o “Orlando Pingo de Ouro”, que também estreava naquela data. Pelo Campeonato Paulista, o Peixe formou com: Luiz, Hélvio e Feijó; Gueguê, Formiga e Zito; Nicácio, Walter, Álvaro, Orlando e Del Vecchio. O técnico, que também era jogador do clube naquele ano, era Antônio Fernandes, o Antoninho.

Enquanto defendeu o Alvinegro, o craque jogou nove partidas pela Seleção Brasileira e marcou um gol. O centroavante tinha temperamento forte e, devido a um entrevero com o radialista Ernani Franco, acabou deixando o clube. O episódio ocorreu na Vila Belmiro durante um amistoso contra o Benfica, no dia 23 de julho de 1957 (vencido pelo Santos por 3 a 2), quando o craque tentou agredir o radialista nas cabines de rádio do Estádio Urbano Caldeira. A atitude causou indignação na diretoria, que decidiu negociar o passe do atleta com o Hellas Verona, da Itália (e posteriormente transferindo-se ao Napoli).

O Menino da Vila, artilheiro e destemido, faleceu no dia 7 de outubro de 1995, aos 61 anos, em consequência de problemas intestinais decorrentes de quatro tiros que levou em maio do mesmo ano, durante uma discussão com o ex-namorado de sua filha. Sua valentia, em campo e fora dele, e o seu faro de artilheiro estarão sempre guardados na história do Glorioso Alvinegro Praiano.

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