20 anos do Título que veio do céu

Gabriel Pierin, do Centro de Memória

Em 9 de abril de 2006, há exatos 20 anos, o Santos conquistava o Campeonato Paulista ao vencer a Portuguesa por 2 a 0 na rodada final daquele Estadual disputado em sistema de pontos corridos. O Peixe confirmou o título com um ponto de vantagem sobre o vice-campeão São Paulo.

A partida decisiva foi marcante não apenas pela conquista em si, nem somente pela Vila Belmiro pulsante, lotada por 19.658 torcedores naquele domingo ensolarado de abril. Outro episódio que ficou na memória foi a chegada do troféu pelo céu, trazido por um helicóptero da Federação Paulista de Futebol.

A taça encerrava um longo período de 21 anos sem títulos estaduais. Nesse intervalo, o Santos havia levantado o Campeonato Brasileiro duas vezes (2002 e 2004), vencido o Torneio Rio-São Paulo em 1997 e conquistado a Copa Conmebol em 1998. Mas o último Paulista havia sido o de 1984, marcado pelo protagonismo de Serginho Chulapa e pela vitória sobre o Corinthians na decisão.

A CAMPANHA

A principal novidade daquela temporada era o retorno de Vanderlei Luxemburgo, especialista em pontos corridos e campeão brasileiro pelo Santos em 2004. Ele voltava ao país após um ano dirigindo o Real Madrid.

Nas primeiras rodadas, o campeonato já mostrava quem brigaria pelo título: Santos e São Paulo travaram uma disputa ponto a ponto do início ao fim. O time do Morumbi, então atual campeão mundial, era apontado como grande favorito. Mesmo assim, o Alvinegro Praiano demonstrou solidez ao longo do campeonato, sobretudo em casa, sustentando uma campanha consistente e um sistema defensivo firme.

Sob o comando de Luxemburgo, o Santos disputou 19 jogos, com 14 vitórias, um empate e apenas quatro derrotas. Foram 33 gols marcados e 19 sofridos.

O JOGO DECISIVO

Ao final da 18ª rodada, o Santos somava 40 pontos contra 39 do São Paulo. Dependia apenas de si para encerrar o jejum de 21 anos. A última partida seria na Vila Belmiro, contra a Portuguesa, que também precisava da vitória — no caso dos rubro-verdes, para escapar do rebaixamento.

A euforia tomou conta do estádio lotado. O Santos entrou em campo com:
Fábio Costa, Ávalos, Ronaldo e Wendel; Fabinho, Maldonado (Heleno), Cléber Santana, Léo Lima (Rodrigo Tabata) e Kléber; Geílson (Magnum) e Reinaldo.

A tensão começou antes mesmo do apito inicial: o São Paulo, em duelo que começou alguns minutos antes, marcou seu primeiro gol contra o Ituano. A pressão aumentava, mas o Estádio Urbano Caldeira seguia em clima de festa, transformado em um caldeirão empurrando o time.

Aos 22 minutos, a insistência santista deu resultado. Após dois jogadores da Portuguesa se atrapalharem ao cortar um cruzamento e cederem escanteio, Léo Lima cobrou na medida para Cléber Santana, que cabeceou na pequena área e abriu o placar.

Pouco depois, o Santos ampliou. Após boa troca de passes, a bola chegou para Kléber na esquerda. O lateral dominou e cruzou; Reinaldo não alcançou, mas a bola desviou no zagueiro da Portuguesa e entrou no canto esquerdo: 2 a 0. O título ficava cada vez mais próximo.

No segundo tempo, a Portuguesa tentou reagir, mas esbarrou na defesa santista — a menos vazada do campeonato. O São Paulo venceu o Ituano por 2 a 0, mas de nada adiantou. A taça tinha destino certo: a Vila Belmiro.

A VINDA DE HELICÓPTERO

Como o campeão ainda não estava definido antes da rodada, o troféu e as medalhas permaneceram na sede da Federação Paulista de Futebol, em São Paulo, aguardando os resultados das partidas simultâneas. Nos minutos finais, a transmissão já mostrava o helicóptero deixando a sede da FPF em direção à Baixada Santista — viagem sem volta.

Assim chegava ao Santos seu 16º título paulista, recebido pelos quase 20 mil torcedores eufóricos que lotavam a Vila Belmiro. Um título que literalmente veio dos céus.

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