Santos na conquista da primeira Copa América da Seleção

Santos na conquista da primeira Copa América da Seleção

Por Gabriel Pierin do Centro de Memória

A primeira conquista importante da Seleção Brasileira aconteceu em 29 de maio de 1919. Naquele dia, uma quinta-feira, três jogadores santistas integraram o selecionado nacional para trazer o troféu da Copa América para o Brasil.

O ponta-direita Adolpho Millon Júnior tinha apenas 16 anos quando fundou o Santos, era driblador, habilidoso e se destacou ao lado do companheiro de equipe, e também fundador, Arnaldo Silveira, um ano mais velho. Arnaldo era um líder nato, ponta-esquerda de chute forte, cobrador de faltas, capitão do Santos e também do Escrete Nacional.

Os dois também estavam juntos na conquista da primeira taça internacional, a Copa Roca, conquistada em 27 de setembro de 1914, em Buenos Aires, na vitória por 1 a 0 sobre a Argentina. Dias antes, em 20 de setembro, a Seleção tinha realizado o seu primeiro jogo oficial, num amistoso contra a mesma Argentina.

O terceiro jogador era o meia carioca Haroldo Pires Domingues, que veio para a Vila Belmiro em 1917, depois de ser campeão do Rio de Janeiro no ano anterior, pelo América.

Os representantes santistas (Foto: Arquivo Santos FC)

O histórico campeonato

Em 11 de maio, domingo, um público recorde assistiu a goleada de 6 a 0 do Brasil sobre o Chile no jogo de estreia. Nessa partida, o santista Haroldo fez o quinto gol brasileiro, aproveitando um cruzamento de Luiz Menezes.

No domingo seguinte, 18 de maio, Haroldo cedeu o lugar para Heitor Domingues e Millon voltou para a ponta-direita, no lugar de Menezes. A presença do atacante santista foi essencial no clássico contra os argentinos. Ele marcou um dos gols da vitória de 3 a 1 sobre os eternos rivais sul-americanos.

O temido Uruguai foi o adversário brasileiro no domingo do dia 25. O jogo poderia garantir o título para qualquer uma das equipes, mas a igualdade do placar em 2 a 2, manteve as duas equipes empatadas na liderança da competição e provocou uma nova decisão.

Brasil e Uruguai voltaram ao recém construído estádio de Laranjeiras, na quinta-feira, 29 de maio, para decidir o título. Naquela finalíssima o Brasil entrou em campo com Marcos, Píndaro e Bianco; Sérgio I, Amilcar e Fortes; Millon, Neco, Friedenreich, Heitor Domingues e Arnaldo.

Com o resultado de 0 a 0 no tempo normal, a partida só foi decidida na prorrogação, com um gol de Friedenreich para o Brasil. A euforia por esta conquista foi tão grande que, para muitos historiadores, entre eles Adriano Neiva, o De Vaney, autor do Álbum de Ouro do Santos, “foi a façanha de 1919 que fez o Brasil avançar pelo menos 15 anos em seu progresso”.

Os jogadores campeões foram exaustivamente homenageados. Um dia depois da conquista o telégrafo do Santos recebia incontáveis despachos telegráficos parabenizando os heróis alvinegros.

Os três heróis santistas receberam medalhas de ouro da Confederação Brasileira de Desportos, do Governo do Estado de São Paulo e do Automóvel Clube de São Paulo. Arnaldo Silveira ganhou mais uma medalha de ouro, da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), por ser o capitão do Selecionado Nacional.

O fim de uma pandemia e o início de uma nova era

A Copa América de 1919, à época denominada Campeonato Sul-americano, foi a primeira competição continental a ser realizada no Brasil, disputada em clima de grande entusiasmo. Mais até do que a expectativa pelos confrontos futebolísticos, o povo celebrava o fim da gripe espanhola, que matou 35 mil brasileiros e cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo.

Durante a competição a gripe não estava de todo erradicada, ainda havia alguns surtos, mas o cuidado com as aglomerações já tinha sido abandonado e o Estádio de Laranjeiras chegou a receber 25 mil pessoas, um recorde para espetáculos no País.