Santos joga fora de São Paulo pela primeira vez

Santos joga fora de São Paulo pela primeira vez

Por Gabriel Pierin do Centro de Memória

Em 1916, o Santos já existia há quatro anos, mas ainda não se apresentara fora do Estado de São Paulo, até que surgiu o convite para jogar no Rio de Janeiro, então capital federal, e ainda ter a honra de inaugurar o estádio do São Cristóvão.

Santos e São Cristóvão jogariam em um domingo, 23 de abril daquele ano. O convite para inaugurar a bela Praça de Esportes do clube carioca encheu os santistas de orgulho, mas não havia dinheiro para a viagem. O problema foi resolvido com um empréstimo de Otávio Lara Campos que seria reembolsado com a parte do clube na arrecadação do jogo.

A delegação do Santos desembarcou no Rio de Janeiro no sábado, 22 de abril, a bordo do vapor nacional Acre, sob um clima de muita expectativa, anunciado pelo jornal carioca Gazeta de Notícias como “o campeão, em 1913 e 1915, da cidade que lhe dá o nome”. Além dos jogadores, viajaram Otávio Lara Campos, Urbano Caldeira, chefe da delegação, e cerca de 20 torcedores.

A imprensa carioca já conhecia a fama dos santistas Adolpho Millon, Arnaldo Silveira e Ary Patusca. O time escalado por Urbano Caldeira jogou com Benedicto Soares, Américo e Cícero; Oscar Bastos, Pereira e Alcides; Adolpho Millon, Agostinho Marba, Tedesco, Ary Patusca e Arnaldo Silveira.

O São Cristóvão atuou com Cardoso, Alexandre Moitinho e Rubens Portocarrero; Azevedo, João Cantuária e Lewerett; Pederneiras, Heitor Pinheiro, Horácio Salema, João Rollo e Sylvio Fontes. Osny Nerner foi o escolhido para arbitrar o duelo que atraiu seis mil pessoas, a lotação completa do estádio.

As festividades começaram às 13 horas, com provas de atletismo, esgrima e luta greco-romana. Na preliminar, a equipe B do São Cristóvão venceu por 2 a 1 um time chamado Palmeiras, campeão da terceira divisão da Liga Metropolitana do Rio de Janeiro em 1913.

Às 16h35, Alvaro Zanith, presidente da Federação Brasileira de Sports, deu o pontapé inicial do jogo, previsto para dois tempos de 30 minutos, com 20 minutos de descanso.

Adolpho Millon marcou para os santistas e a partida que terminou empatada em 1 a 1 foi marcada por um jogo movimentado, muita polêmica, invasão de campo e bastante discussão. Porém as desavenças nessa partida não impediram que Santos e São Cristóvão mantivessem um ótimo relacionamento, a ponto de se declararem clubes-irmãos. Estabeleceu-se que os sócios de um teriam o mesmo direito dos sócios do outro. A semelhança do distintivo e o fato de ambos adotarem o uniforme todo branco como o principal, foram outros fatores que os aproximaram.