Santos é Bicampeão Paulista pela quarta vez

Santos é Bicampeão Paulista pela quarta vez

Por Gabriel Pierin do Centro de Memória

No dia 8 de maio de 2016, em mais um domingo de decisão na Vila Belmiro, o adversário era o Grêmio Audax, de Osasco, um franco-atirador que vinha surpreendendo outros clubes grandes no Campeonato Paulista.

Finalista nas sete competições anteriores, o Alvinegro Praiano chegava a mais uma final, que poderia lhe dar sete títulos em 11 anos. O Audax, dirigido por Fernando Diniz, adotara o futebol ofensivo e jogando assim, sem medo, ganhou dos maiores dentro ou fora de casa e poderia complicar a aspiração santista.

Nas quartas de final o time do interior goleara o São Paulo, em Osasco, por 4 a 1; na semifinal passou pelo Corinthians, no Itaquerão, por 4 a 1 nos pênaltis depois de empatar em 2 a 2 no tempo normal. Antes, na fase de classificação, dera um susto no Santos, na Vila. Só depois de terminar o primeiro tempo perdendo por 1 a 0, o Alvinegro virou no segundo, com gols de Léo Cittadini e Ronaldo Marques.

O Santos alcançou a classificação com folga. Em 15 jogos venceu nove, empatou cinco e só perdeu um, para o RB Brasil, em São José dos Campos. Nos clássicos, venceu o Corinthians e empatou com São Paulo e Palmeiras. Terminou com 32 pontos ganhos, cinco a mais do que o São Bento, adversário que superou nas quartas de final por 2 a 0, na Vila, os dois gols de Vitor Bueno.

Ainda na Vila Belmiro, um futebol mais objetivo e dois gols de Gabriel deram uma vantagem que parecia definitiva na semifinal, contra o Palmeiras, mas Rafael Marques fez dois gols consecutivos, aos 42 e 43 minutos do segundo tempo, empatando o jogo e levando a definição da vaga na final para os pênaltis.

Quando Clayton Xavier marcou e Lucas Lima perdeu, o santista teve a impressão de que estava diante de mais uma daquelas desilusões inesquecíveis. Mas a partir dali, a sorte virou. Os batedores marcaram três vezes, Vanderlei defendeu duas cobranças, entre elas a do artilheiro Rafael Marques, e a disputa terminou com o goleiro Fernando Prass isolando a bola.

A experiência contra a audácia

Na primeira partida da decisão, em Osasco, os finalistas ficaram no empate. O Audax criou boas oportunidades, teve mais tempo de bola e abriu o marcador com Mike, aos 12 minutos do segundo tempo. Apenas quando a partida já se encaminhava para o fim, Ronaldo Mendes, que entrara no lugar de Lucas Lima, acertou um chute perfeito de fora da área para empatar o jogo.

O resultado aumentou a confiança dos santistas para a grande final no estádio Urbano Caldeira. O Santos estava invicto jogando em casa e o torcedor em festa prestigiou e lotou a Vila Belmiro, no segundo e decisivo confronto esperado para o domingo seguinte, oito de maio.

O time campeão, escalado pelo técnico Dorival Junior, formou com Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Lucas Lima (depois Paulinho) e Vitor Bueno (Ronaldo Mendes); Gabriel e Ricardo Oliveira (Joel). O audacioso Fernando Diniz escalou sua equipe com Sidão, André Castro, Yuri, Bruno Silva e Velicka; Tchê Tchê, Camacho e Juninho (depois Wellington); Bruno Paulo, Mike e Ytalo.

O jogo começou com a forte pegada do time adversário que se arriscava mais no ataque. O Peixe teve a tranquilidade para construir os contra-ataques, e assim apostar na poderosa dupla de seu ataque, formada por Ricardo Oliveira e Gabriel Barbosa.

A vitória começou a se desenhar quando Ricardo Oliveira partiu decidido para o ataque e colocou a bola entre as pernas de Bruno antes de jogá-la também entre as pernas do goleiro Cidão, no único gol do jogo. O placar poderia ter se ampliado caso a arbitragem de Raphael Klaus não errasse ao marcar impedimento em um gol legal de Joel, quando o Santos já vencia por 1 a 0.

Retrospectiva histórica

Com a conquista, o Alvinegro alcançou seu quarto bicampeonato no estadual. Os anteriores foram: 1955-1956, 1964-1965 e 2006-2007. Além dos bicampeonatos, o Santos tem três tricampeonatos: 1960-1961-1962, 1967-1968-1969 e 2010-2011-2012.

O título representou também a manutenção da soberania santista em dois quesitos: maior campeão paulista da era profissional do futebol (desde 1933, e maior campeão paulista da era Federação Paulista de Futebol (desde 1941).

Todos os 22 títulos paulistas do Santos foram conquistados na era profissional. Desde que a Federação Paulista de Futebol foi fundada e começou a organizar as competições, são 21 títulos do Alvinegro (depois o Corinthians também alcançou a marca de 22 títulos na era profissional e empatou com o Santos).

Campanha de campeão

Para vencer o Paulista em 2016, o Peixe disputou 19 partidas, com 11 vitórias, sete empates e uma derrota, marcando 34 e sofrendo 17 gols. Os artilheiros santistas no certame foram: Gabriel e Ricardo Oliveira (7 gols); Joel e Vitor Bueno (3); Lucas Lima, Gustavo Henrique, Ronaldo Mendes e Paulinho (2) e, com um gol cada um, Vitor Ferraz, Rafael Longuine, Zeca e Léo Citadini. O Santos ainda contou com os gols-contra de Bruno Costa e Fabrício Lusa.