O paraense Mané Maria, grande amigo do Rei, completa 73 anos

O paraense Mané Maria, grande amigo do Rei, completa 73 anos

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Foi em um domingo, de um ano bissexto, dia 29 de fevereiro de 1948 que nasceu em Belém, no Pará, um menino que recebeu o pomposo nome de Manoel Maria Evangelista Barbosa dos Santos, que no futuro seria mais conhecido com Mané Maria.

Sua infância foi vivida na cidade de Parintins, no Amazonas. Contudo, antes de completar 11 anos, ele voltou para sua cidade natal e lá iniciou sua trajetória no futebol.

De 1963 a 1965 jogou na equipe juvenil União Esporte. Depois, tentou seguir carreira no Remo, mas as categorias de base não eram valorizadas no clube azulino e ele voltou a morar com seus pais em Santarém. Lá destacou-se jogando na ponta-direita da equipe do São Raimundo e daí foi jogar na Tuna Luso Comercial, que depois passaria a se chamar Tuna Luso Brasileira.

No início de fevereiro de 1967, estava jogando na Tuna Luso e já em março de 1968 estreou na Seleção Brasileira Olímpica. Foi graças a sua boa atuação no Pré-olímpico, que chamou a atenção dos dirigentes do Santos que de imediato o contrataram.

O Alvinegro procurava um substituto para o ponta Dorval, que deixou o time em 1967. O passe de Mané Maria custou aos cofres do clube santista 80 mil cruzeiros novos. O jovem paraense tinha 20 anos de idade e muitos sonhos a serem concretizados quando chegou à Vila Belmiro.

Sua estreia na equipe principal ocorreu na Suíça, em 15 de junho de 1968, um sábado, durante uma excursão à Europa. O time perdeu por 5 a 4 para o FC Zurich e ele entrou no lugar do ponta-direita Amauri. Nesse confronto amistoso, o técnico Antoninho escalou o Santos com Gylmar, Turcão, Oberdan, Ramos Delgado e Geraldino (Elizeu); Clodoaldo e Lima; Amauri (Manoel Maria), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Os gols santistas foram marcados por Toninho Guerreiro (2), Pelé e Pepe.

Em 1968 foi Campeão Brasileiro (Taça de Prata), Campeão da Recopa Sul-americana e do Torneio da Amazônia. Em 1969 foi Campeão Paulista. Em 1970 ganhou a Taça Cidade de São Paulo e o Torneio Hexagonal do Chile, e em 1973 foi novamente Campeão Paulista.

Sua convocação era dada como certa pela imprensa para participar da Copa do Mundo, em 1970, no México. No entanto, o técnico Zagallo preferiu chamar mais um goleiro para o lugar do ponta-direita Rogério, do Botafogo, que estava machucado. Era o fim de um sonho para o jovem ponta-direita paraense.

O grave acidente e a volta

No dia 8 de outubro de 1970, uma quinta-feira à tarde, o craque do Peixe ia da casa da noiva para o quartel onde servia o Exército, quando o carro que dirigia derrapou nos trilhos molhados da avenida Presidente Wilson e capotou até bater em um poste e uma caminhonete.

O ponta, de 22 anos, foi internado na sala Torres Homem da UTI da Santa Casa de Santos, com suspeita de fratura no crânio. Seu estado era gravíssimo. Mané permaneceu inconsciente por 11 dias. Em duas semanas, porém, já estava fora de perigo, mas com uma recuperação lenta, sem previsão de retorno ao futebol. Sua noiva, Léa, hoje sua dedicada companheira, esteve ao seu lado dia e noite enquanto ele esteve internado.

Sua volta aos gramados ocorreu no ano seguinte, mais precisamente em 25 de agosto de 1971, uma quarta-feira, em partida amistosa contra o Boca Juniors, em Caracas, vencida pelo Santos por 3 a 0. Sem conseguir repetir o futebol eletrizante do período anterior ao grave acidente, o craque paraense recebeu passe livre do Santos em julho de 1973.

Sua última apresentação nesse período com a camisa santista ocorreu em 20 de maio de 1973, um domingo, na Vila Belmiro, na goleada sobre a Ponte Preta por 5 a 1, pelo Campeonato Paulista, resultado que deu ao Alvinegro o título do primeiro turno do campeonato e depois o título na final do campeonato dividido com a Portuguesa de Desportos, sendo esse o último título de Manoel Maria pelo Santos.

Em 1976 o ponta retornaria à Vila Belmiro, disputando mais 11 partidas com a camisa do clube pelo qual jogou, ao todo, 174 partidas e marcou 34 gols.

Antes de encerrar a carreira, Manoel Maria defendeu ainda o Noroeste de Bauru e o Corinthians de Presidente Prudente, este último em 1977. A partir daí, abriu uma corretora de imóveis com seu amigo e conterrâneo Paulo Robson, ex lateral-esquerdo do Santos.

Manoel Maria também foi técnico das equipes de base do Alvinegro Praiano e orientou os jovens Robinho e Diego no início de suas carreiras. Prestou serviços como técnico do Litoral FC, um clube amador do bairro da Aparecida, em Santos, que tinha como um dos donos o Rei Pelé, com o qual mantém amizade até hoje.

Assim como muitos outros craques do Peixe que adotaram a cidade de Santos para a viver, o eterno craque santista e boa praça Mané Maria mora no tranquilo bairro da Pompeia, nas proximidades da orla praiana, com sua esposa Léa e os filhos Aarão, André e Felipe, e os netos David, Breno, Henrique, Isabela e Manuela.