O lençol psicodélico de Kaneko

O lençol psicodélico de Kaneko

Por Guilherme Guarche do Centro de Memória

A tristeza pela quebra do “Tabu” durou apenas três dias, pois no dia 9 de março de 1968, um sábado à noite, pela sétima rodada do Campeonato Paulista, o onze santista jogando no Estádio Urbano Caldeira, devolveu à sua torcida o prazer de ser feliz novamente.

Tal feito ocorreu na vitória diante da equipe do Botafogo de Ribeirão Preto pelo placar de 5 a 1, com Toninho Guerreiro marcando três gols, Pelé um e Negreiros o outro tento santista que naquela noite formou com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Lima (Mengálvio) e Negreiros; Kaneko, Toninho (Douglas), Pelé e Edu. O técnico era Antônio Fernandes, o Antoninho.

Os 5.227 espectadores presentes ao Alçapão da Vila viram o jovem ponta-direita, Kaneko construir uma jogada, ou melhor, uma das mais lindas jogadas dentro do Estádio Urbano Caldeira. O gol não foi de autoria dele e sim de Toninho Guerreiro que mandou a bola para as redes adversárias dentro da pequena área com um toque genial de calcanhar. A jogada foi toda arquitetada pela direita pelo ponta Kaneko.

Kaneko pegou a bola do lado direito do ataque, a prendeu entre os tornozelos e com um movimento acrobático ergueu-a pelas costas, dando uma carretilha ou lençol psicodélico no lateral-esquerdo Carlucci, da Pantera da Mogiana, que ficou apavorado sem saber onde estava a pelota. Na sequência o ponta-direita cruzou para o meio da área que foi de encontro ao artilheiro Toninho Guerreiro que finalizou a jogada marcando um belo gol.

Alexandre de Carvalho Kaneko, de origem japonesa, nasceu em Santos no dia 6 de outubro de 1946 e iniciou sua carreira esportiva jogando no Vila Isabel de São Paulo, e também no Colégio Mackenzie vindo para as equipes de base do Santos.

Kaneko foi o segundo jogador profissional descendente de japoneses a atuar no futebol brasileiro. Jogadores oriundos do país do “Sol Nascente” que vestiram a camisa do Santos no transcorrer dos anos foram Kazuo, Musashi, Maezono e Sugawara.

Ao todo ele jogou, entre os anos de 1968 a 1970, 17 partidas e marcou apenas um gol. Quando deixou a Vila Belmiro, jogou no América/SP. Kaneko faleceu em Santos no dia 18 de abril de 2017.