O ídolo eterno Dorval completa 86 anos

O ídolo eterno Dorval completa 86 anos

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória do Santos.

Os colegas de time o chamavam pelo apelido de “Macalé”. Ele não gostava, mas não se aborrecia, nem tampouco discutia com os parceiros da sua equipe, pois sabia que aquele grupo de amigos era uma grande família onde todos se respeitavam e tinham um só objetivo: vencer e fazer felizes os torcedores do Alvinegro mais famoso do mundo.

Dorval Rodrigues, o “Macalé”, nasceu no bairro de Partenon, em Porto Alegre, em 26 de fevereiro de 1935, uma terça-feira, um dia após do nascimento do seu colega do time do Santos, José Macia, o Pepe.

Dorval que fez parte do inesquecível “Ataque dos Sonhos”, sendo o titular absoluto durante vários anos da ponta-direita, iniciou sua carreira no Peixe vindo da equipe do hoje extinto Grêmio Força e Luz do Rio Grande do Sul.

Lá jogava na ponta-esquerda do “Onze da Timbaúva” como era conhecido o time gaúcho, antes já tinha jogado no infantil do Internacional de depois no juvenil do Grêmio.

Desde cedo Dorval mostrava que o futebol seria parte constante de sua vida, pois gostava muito de jogar peladas nas ruas com outros garotos, onde sempre se destacava, no entanto, só foi jogar profissionalmente no ano de 1955, numa equipe pequena gaúcha, mas isso não o impediu de exibir seu futebol e assim ser chamado para defender a seleção de seu estado em um torneio do México. No modesto time do Força e Luz ele permaneceu dos 17 aos 19 anos.

A facilidade no controle da bola e os dribles rápidos despertaram o interesse de grandes clubes do Brasil, resultando em sua contratação pelo Santos em 1956.

 O começo no time que o consagraria no mundo da bola.

Sua primeira participação no time do Alvinegro Praiano, que curtia ainda o título de Campeão Paulista de 1955, ocorreu no dia 20 de maio de 1956, em partida amistosa jogada no Estádio Mário Alves de Mendonça em São José do Rio Preto na vitória santista pelo placar de 3 a 1.

O adversário era o América local e os gols foram marcados por Pagão, Alfredinho e Tite. O Santos do técnico Lula formou com Manga (Osvaldo), Hélvio (Sarno) e Ivan; Ramiro, Formiga (Feijó) e Zito; Alfredinho (Dorval), Jair Rosa Pinto (Pepe), Pagão (Del Vecchio), Vasconcelos e Tite.

No início do ano seguinte foi emprestado para ganhar ritmo de jogo ao Juventus da Moóca e quando retornou ao Peixe ganhou a posição de ponta-direita jogando no lugar de Alfredinho.

Dorval formou num dos melhores ataques que o time teve, ataque esse que era composto além dele por Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe, segundo afirmam os torcedores que os viram jogar no time da Vila Belmiro.

Quando chegou no Alvinegro ele lembra que o ataque era formado por Alfredinho, Álvaro, Del Vecchio, Vasconcelos e Tite: “Em dezembro de 1957, o zagueiro do São Paulo, Mauro quebrou a perna do Vasconcelos e o Pelé estreou, depois saiu o Alfredinho e eu entrei na ponta-direita”.

Sua qualidade e seu futebol eficiente não demoraram a aparecer e no ano de 1958, com um irresistível Pelé no ataque, Dorval ajudou o Peixe na conquista do campeonato daquele ano, em que o futuro Rei marcou nada menos que 58 gols, recorde esse que permanece até os dias atuais e que dificilmente será igualado por outro jogador.

Assim que o técnico Lula o efetivou no ataque santista, Dorval cresceu e desenvolveu seu futebol e em muito ajudou o clube em partidas as quais ele lembra como sendo as mais importantes, como a goleada sobre o Benfica, na decisão do Mundial Interclubes em 1962; a vitória sobre o Milan, no Maracanã, na segunda partida do Mundial de 1963, os 3 a 0 no Peñarol na final da Libertadores de 1962, em Buenos Aires, e a vitória maiúscula diante da Seleção da Tchecoslováquia, no Hexagonal do Chile em 1965.

Uma passagem rápida pela Argentina e a volta ao Peixe

Devido a um desentendimento ocorrido entre ele e Pelé nos vestiários após uma partida, a diretoria do Santos resolveu negociá-lo com o Racing. Como o clube argentino não quitou o valor estipulado pela sua venda, o negócio foi desfeito, o clube argentino ficou com os jogadores Batista e Luis Cláudio e ele voltou ao Santos em 1965, ficando até o ano de 1967, quando seu passe foi vendido ao Palmeiras.

A última vez em que vestiu a camisa do Santos foi no dia 23 de abril de 1967, na vitória pelo placar de 3 a 0 diante do Bangu no Pacaembu, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, quando substituiu o ponta-direita Copeu com Edu marcando dois e Pelé um gol.

Dorval jogou pelo Alvinegro 612 partidas e marcou 198 gols. É o 6º artilheiro na tábua geral dos artilheiros do time da Vila Belmiro. Na Seleção Brasileira jogou 13 partidas e marcou um gol.

Sua maior decepção no futebol foi não de ter estado no time brasileiro que ganhou o bicampeonato mundial em 1962. Nesse ano ele estava no auge de sua carreira e merecia fazer parte daquele elenco que tinha no comando o técnico Aymoré Moreira que entendeu que ele não teria vaga no ataque da Seleção e não o convocou.

Pelo Santos, Dorval ganhou os títulos de Campeão Paulista de 1958, 1960, 1961,1962 e 1964. Foi Campeão da Taça Libertadores da América em 1962 e 1963. Campeão Mundial Interclubes em 1962 e 1963. Campeão Brasileiro em 1961, 1962, 1963 e 1964. Campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1959, 1963, 1964 e 1966. Além de ter vencido inúmeros torneios pelo Santos.

Dorval afirma que “O Santos era um grande time, que envolvia a amizade entre os jogadores. Nós jogávamos dentro e fora do Brasil, fazíamos excursão de até um mês fora do país. Isso era bom tanto para o Santos quanto para nós, que aparecíamos para o mundo. Não há dinheiro que pague toda aquela felicidade que senti”.

O inesquecível ponta-direita que hoje vive em Santos e está incluído no programa “Ídolos Eternos” do Santos, junto com outros craques veteranos como Mengálvio, Pepe, Edu, Clodoaldo, Abel e Mané Maria. Separado, Dorval é pai de Émerson Fernando Rodrigues.

Parabéns ao melhor ponta-direita que vestiu a camisa sete do Santos e muita saúde.