O gol 7000 do polêmico Pitico

O gol 7000 do polêmico Pitico

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Era uma quinta-feira, dia 15 de abril de 1970, o palco da partida, o antigo Parque Antártica. No gramado estavam as equipes do Santos e do São Paulo jogando pelo segundo turno da Copa São Paulo. O time santista atuou sem os seus principais craques como Pelé, Carlos Alberto, Joel Camargo, Clodoaldo e Edu que serviam a Seleção Brasileira.

O técnico Antoninho lançou nessa Copa vários garotos que estavam surgindo na Vila Belmiro, e o resultado foi que o Santos venceu o torneio e o jovem meia Pitico de apenas 20 anos, um dos destaques da partida, marcou o gol 7000 da história do Peixe. O time santista venceu por 2 a 1, com gols de Pitico e Léo Oliveira.

O novato time praiano formou com Joel Mendes, Turcão, Ramos Delgado, Djalma Dias e Rildo; Léo Oliveira e Pitico; Manoel Maria, Picolé (depois Douglas), Djalma Duarte (Lima) e Abel.

A partida, ora dominada pelo Santos ora pelo São Paulo, seguia equilibrada até os 31 minutos, quando o zagueiro Jurandir tentou cortar a jogada e a bola foi cair nos pés de Pitico que mandou a esfera para o fundo das redes do Tricolor.

Esse foi o gol santista de número 7000. Carlos Alberto empatou aos 19 minutos do segundo tempo e Léo Oliveira fez o gol da vitória santista a três minutos para o final.

Campeão do torneio com quatro vitórias, três empates e uma derrota, o Santos chegou ao título em um final empolgante, já que perdia por 1 a 0 para o Palmeiras e só foi empatar – com Manoel Maria empurrando para as redes um rebote do goleiro Neuri – aos 43 do segundo tempo.

Pitico ainda estava no Santos quando este chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro, em 1971, e no título paulista de 1973, quando foi trocado por Mazinho, do América de São José do Rio Preto.

Pitico era um jogador irreverente e folclórico, até hoje tem suas passagens no clube de Vila Belmiro lembradas por ex-atletas e associados, que com ele conviveram no clube.
Uma dessas histórias é a de que por ocasião da renovação do seu contrato com o Alvinegro, Pitico pegou um papel e escreveu um enorme nº 8 (oito milhões de cruzeiros, o valor que pretendia receber) e passou para o representante santista Katutoshi Ono, o dirigente olhou e rabiscou o nº 3, maior ainda. O jogador com cara de poucos amigos, analisou a contraproposta e argumentou: “Tá bom, aceito! Afinal, não vamos brigar por causa de uma diferença de 5 milhões de cruzeiros”.

Ronaldo Barsotti de Freitas, o polêmico Pitico, depois de jogar no América, foi atuar no Cosmos de Nova York. Na volta ao Brasil, defendeu o Saad de São Caetano, a Internacional de Limeira e terminou a carreira no Bangu.

Nascido em Santos, em 6 de março de 1949, Ronaldo Barsotti de Freitas ao deixar os campos foi morar em Limeira. Pitico talvez não tenha tido todas as oportunidades que merecia. Mas ser o autor do gol 7000 do Santos ao menos gravou seu nome na melhor história do futebol mundial.