Neymar, a joia da Vila

Neymar, a joia da Vila

Por Gabriel Pierin do Centro de Memória

No dia 5 de fevereiro de 1992, uma quarta feira, Neymar da Silva Santos Junior nasceu na cidade de Mogi das Cruzes, mas foi em Santos que o menino brilhou para o mundo.

Em sua infância o garoto também morou em Praia Grande, São Vicente antes de chegar a Santos, quando já atuava nas equipes de base do time de Vila Belmiro. Seu descobridor foi o eterno capitão santista José Ely Miranda, o Zito, que o viu jogar futsal nas quadras do Gremetal e ficou impressionado com a habilidade do garoto, convidando-o imediatamente para treinar nas divisões menores do Peixe.

Neymar Jr, ou como a imprensa brasileira gostava de chamá-lo de “A Joia”, estreou com a camisa do clube no dia 7 de março de 2009, no estádio do Pacaembu, na vitória por 2 a 1 sobre o Oeste de Itápolis, pelo Campeonato Paulista.

O jovem atacante entrou no lugar do colombiano Molina atraindo os olhares dos 23 590 torcedores presentes ao Pacaembu. O time, orientado pelo técnico Vágner Mancini, jogou com Fábio Costa, Fabiano Eller, Domingos e Adaílton (Germano); Luizinho (Pará), Roberto Brum, Rodrigo Souto, Madson, Triguinho e Molina (Neymar) e Roni.

Um minuto depois de entrar em campo, Neymar, recebeu passe curto de Madson e foi pra cima do marcador. Gingou para a esquerda, saiu pela direita e o cruzou fazendo uma curva, de fora para dentro, encobrindo o goleiro Weverton. A bola, caprichosamente, bateu no travessão e quicou na área pequena. O lance animou os santistas que se encheram de esperança com o estreante.

Oito dias depois, no mesmo Pacaembu, o Santos já vencia o Mogi Mirim por 2 a 0 quando, aos 28 minutos do segundo tempo, Roni avançou pela esquerda da grande área e cruzou à meia altura. Neymar mergulhou de cabeça para marcar o seu primeiro gol como profissional. Na comemoração, socou o ar, como Pelé, e ergueu as duas mãos para o céu. O estádio passou a gritar o seu nome. O garoto de apenas 17 anos caia nas graças da torcida.

Títulos, gols e grandes jogadas

Em 2009 o Santos foi vice-campeão paulista, mas no primeiro semestre de 2010 começou uma sequência de títulos. Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho, além de Wesley, André e Madson formaram a linha ofensiva mais criativa do continente. Campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista em 2010, em 2011 o Alvinegro Praiano venceria novamente o Paulista e, após 48 anos, voltaria a triunfar na Copa Libertadores. Em 2012, último ano de Neymar na Vila, viriam o tricampeonato paulista e o título da Recopa Sul-americana. Cada jogo do Santos trazia a perspectiva de mais um show.

Neymar fez vários gols que mereciam uma placa, mas o gol que entrou pra história aconteceu no dia 27 de julho de 2011, uma noite mágica de quarta-feira, na Vila Belmiro. O Santos já vencia o Flamengo por 2 a 0, quando, aos 25 minutos da primeira etapa, começou o lance ontológico. Neymar, aberto pela esquerda, recebeu passe de Ibson, passou por três marcadores flamenguistas, tabelou com Borges e recebeu frente a frente com Ronaldo Angelim. O atacante aplicou um drible desconcertante, deixando o zagueiro para trás e, com um leve toque, encobriu o goleiro Felipe. O feito inacreditável lhe valeu o Prêmio Puskas como o gol mais bonito do ano.

A sua despedida do Santos aconteceu em 26 de maio de 2013, na última partida do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, também contra o Flamengo. Neymar vestiu 230 vezes a camisa mais preciosa do futebol e com ela marcou 138 gols. O ídolo ocupa a 13ª posição entre os maiores artilheiros do clube.