Nenê Belarmino, 70 anos dedicados ao futebol

Nenê Belarmino, 70 anos dedicados ao futebol

Por Guilherme Guarche do Centro de Memória

Nenê Belarmino Júnior nasceu numa segunda-feira, 8 de janeiro de 1951, em Santos. Caçula de seis filhos, Nenê ganhou esse apelido da mãe, Ambrosina Ferreira de Almeida.

Durante sua infância, por ser canhoto, jogava na ponta-esquerda do Pasteur, um time amador do bairro do Gonzaga, em Santos, onde seu pai era um dos diretores.

Mas foi na época em que atuava na equipe do Santos Praia Clube, time em que jogavam alguns veteranos do Peixe, que seu futebol despertou o interesse de ex-craques como Olavo e Formiga, que o levaram para treinar no time juvenil do Alvinegro.

Nenê era um meia ofensivo, que usava sua canhota para bater forte a gol, jogou com a camisa do Santos, no período de 1969 a 1974, 226 partidas e marcou 58 gols.

Foi o técnico Antônio Fernandes, o Antoninho quem escalou Nenê Belarmino pela primeira vez em uma partida na equipe principal do Santos. E foi em um amistoso disputado na cidade de Cuiabá em comemoração aos 250 anos da cidade mato-grossense, no dia 8 de abril de 1969.

Na sua estreia o time santista venceu o Mixto pelo placar de 5 a 1. Nenê entrou no lugar de Mengálvio na partida com portões abertos que deu o título do torneio ao Alvinegro Praiano.

Naquela terça-feira, um feriado local, o Santos formou com Gylmar (Peres), Oberdan, Ramos Delgado (Paulo), Marçal (Pitico) e Turcão; Mengálvio (Nenê) e Lima; Manoel Maria, Toninho Guerreiro (Patito), Douglas e Abel. Toninho, duas vezes, Manoel Maria, Patito e Felizardo, contra, marcaram os gols santistas.

Na Vila Belmiro ele conquistou os títulos: Quadrangular de Cuiabá (1970), Taça Cidade de São Paulo (1970), Hexagonal do Chile (1970), Triangular da Jamaica (1971) e Campeonato Paulista (1973) e participou também da campanha que deu ao Peixe o título de Fita Azul do Futebol Brasileiro em 1972.

Um lindo e inesquecível gol no Morumbi

Um de seus gols mais bonitos ocorreu justamente em 26 de novembro de 1972, um domingo ensolarado em que o Estádio do Morumbi recebeu 59 078 espectadores para ver o clássico Santos e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano.

Com todos os gols no segundo tempo, o Santos goleou o rival por 4 a 0. Clodoaldo marcou aos 10 minutos, Nenê ampliou aos 23 e 26, e Edu fechou a goleada encobrindo o goleiro Ado aos 29 minutos.

No seu primeiro gol, Nenê pegou o rebote de um chute de Edu e encheu o pé. A bola, rasante, passou sob o corpo do goleiro corintiano. O gol mais bonito veio três minutos depois. Jair da Costa se livrou de dois adversários na ponta direita, veio para o meio e tocou lateralmente para Pelé, que deixou a bola passar por entre as suas pernas, até Edu.

Este apenas matou a bola e a rolou para a esquerda, onde sabia que estava Nenê. O meia acertou um chute forte, rasteiro e cruzado, complementando a bela jogada do ataque santista.

A última partida de Nenê com a camisa do Alvinegro ocorreu em 3 de agosto de 1974, um domingo em que o Santos venceu o Noroeste, na Vila Belmiro, por 2 a 1, com gols de Marinho Perez e Léo Oliveira. Nesse confronto, válido pelo Campeonato Paulista, o time foi escalado pelo técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, com Cejas, Carlos Alberto, Marinho Perez, Vicente e Turcão; Léo Oliveira e Nelsi; Mazinho, Nenê, Pelé e Ferreira.

Ao deixar a Vila Belmiro, Nenê foi jogar pelo Universidad Guadalajara, do México. Lá foi campeão da Copa do México (1976/1977), bicampeão da Liga Mexicana (1976/1977 e 1977/1978) e vice-campeão da Liga Mexicana (1975/1976), retornando ao Brasil em 1982 e encerrando a carreira na Portuguesa Santista, mesmo clube em que iniciou sua carreira de técnico, em 1984.

Já treinou inúmeras equipes profissionais, como União de Mogi, Operário de Campo Grande, Sertãozinho, Botafogo e Comercial de Ribeirão Preto, União São João de Araras, Grêmio Barueri e Uberaba Sport Club.

Em Portugal foi técnico do Belenenses de 2000 a 2004. Hoje trabalha nas equipes de base do Santos onde também dirigiu essas mesmas categorias nas décadas de 1980 e 90.

Hoje ao completar 70 bem vividos anos, mora na cidade natal ao lado de sua filha Fabiana e sempre agradece por ter jogado em um time que ele mesmo define como “uma verdadeira seleção”.