Mengálvio, o falso lento no Ataque dos Sonhos 

Mengálvio, o falso lento no Ataque dos Sonhos 

Por Guilherme Guarche, Centro de Memória 

O eterno Rei Pelé definiu Mengálvio como “um jogador de grande habilidade, inteligente e dinâmico”. Ter recebido esse comentário vindo do maior jogador de futebol em todos os tempos já serviria para coroar a carreira de um melhores camisa oito que o Santos já teve em seu elenco no decorrer dos anos.

Filho do maestro e funcionário público Antônio Libano Figueiró e de Maria Florisbela Figueiró, Mengálvio nasceu em Laguna, litoral de Santa Catarina, terra natal de Anita Garibaldi, a famosa Heroína dos Dois Mundos, no dia 17 de outubro de 1938, uma segunda-feira. Mengálvio Figueiró tem acrescido na certidão de batismo o nome Pedro.

Mengálvio apareceu para o futebol nos quadros amadores do Barriga Verde Futebol Clube de sua cidade. Ele era um dos destaques do time do batalhão onde prestava o serviço militar e um tenente que gostava do seu estilo de jogar o indicou para treinar no Aimoré de São Leopoldo (RS).

Essa equipe que Mengálvio defendia em 1957 teve uma atuação elogiável no Campeonato Gaúcho e o futebol mostrado pelo garoto alto e esguio, de 18 anos, se destacou sendo elogiado pela imprensa de Porto Alegre. Assim, no ano seguinte, ele já integrava a Seleção Brasileira no Pan-americano da Costa Rica.

Mengálvio foi contratado pelo Santos com o aval do seu conterrâneo Raul Donazar Calvet ao técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, que aprovou a contratação do craque catarinense se antecipando a outros clubes da capital paulista que também tinham interesse em contratá-lo,

A diretoria santista precisava repor algumas peças no elenco e o meio campo necessitava de um jogador que substituísse o veterano Jair Rosa Pinto e ele foi o escolhido. Em março de 1960 se apresentou na Vila Belmiro.

Sua estreia com a camisa do Alvinegro Praiano ocorreu no Estádio do Pacaembu pelo Torneio Rio-São Paulo no empate em 2 a 2 diante da Portuguesa de Desportos, no dia 19 de abril de 1960.  O técnico Lula o deixou no banco e durante a partida ele entrou no lugar de Ney Blanco.

Nesse empate em que o técnico Lula o escalou pela primeira vez no time, o Santos formou com Laércio, Feijó, Mauro e Zé Carlos; Calvet (Formiga) e Zito; Dorval, Ney Blanco (Mengálvio), Coutinho, Pelé e Pepe. Os gols santistas foram de Ney Blanco e Zito.

Essa foi também a partida em que nascia aquele que é conhecido pelo como “O Ataque dos Sonhos”, pois além de Mengálvio o ataque tinha Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Os cinco craques jogariam juntos em 97 partidas, conquistando 68 vitórias, empatando 11 e perdendo 18 partidas; marcando 314 gols e sofrendo 155, com uma média assombrosa de 3,23 gols marcados por partida. A última vez em que atuaram juntos ocorreu em 9 de janeiro de 1966, na Costa do Marfim, na goleada de 7 a 1 sobre a equipe do Stade Clube Abdjan.

Seu apelido no grupo dado pelos companheiros de time era Pluto, um personagem das histórias em quadrinhos de Walt Disney. Mengálvio foi reserva de Didi no Mundial do Chile em 1962. Dono de um futebol clássico ele foi campeão do mundo no Chile e campeão da Copa Rocca em 1963.

Seu estilo de jogo aparentava que ele era um falso lento, pois conseguia manter o mesmo ritmo durante toda a partida. Ele era o responsável pela marcação e armação de jogadas ao lado de seu companheiro no meio de campo, José Ely Miranda, o Zito.

Naquela máquina de jogar futebol que era o time santista nos anos 1960, Mengálvio jogava mais recuado, exercendo o papel de um médio-volante, um guardião da zaga. Era ele que liberava o seu colega Zito que apoiava com mais frequência o ataque.

Pepe, seu colega no ataque santista, no livro “Bombas da Alegria” comenta uma passagem de Mengálvio que após a Copa do Mundo do Chile, deixou com o presidente João Goulart um bilhete para que seu irmão, aprovado em concurso, fosse chamado para ocupar a vaga conquistada e isso de fato aconteceu e seu irmão foi convocado para a tal vaga.

No correr do ano de 1968, Mengálvio voltou a defender por empréstimo novamente uma equipe gaúcha e o Grêmio foi o time que teve o meio-campista a defendê-lo por um curto período de tempo. Na volta outro empréstimo, desta feita no exterior e jogando pelo Milionários da Colômbia, ajudou seu time a vencer o Torneio Finalizacíón.

Na volta a Vila Belmiro vestiu a camisa do Alvinegro Praiano pela última vez no dia 18 de maio de 1969, no empate em 1 a 1 contra a equipe do São Bento, no Estádio Humberto Reali, em Sorocaba. Nesse jogo, o tento santista foi de autoria de Jonas Eduardo Américo, o Edu.

O técnico Antônio Fernandes, o Antoninho, comandou a equipe nessa partida pelo Campeonato Paulista com a seguinte formação: Cláudio, Oberdan, Ramos Delgado, Djalma Dias e Rildo; Clodoaldo e Léo Oliveira (Mengálvio); Manoel Maria (Douglas), Toninho Guerreiro, Edu e Abel.

Pelo Alvinegro Praiano, Mengálvio jogou entre os anos de 1960 a 1969 em 369 partidas marcando 27 gols. Na Seleção Brasileira esteve em campo em nove partidas.

Títulos conquistados no Santos: 

1960 – Campeonato Paulista

1961 – Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro

1962 – Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores e Mundial Interclubes

1963 – Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores, Mundial Interclubes e Torneio Rio-São Paulo

1964 – Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro e Torneio Rio-São Paulo

1965 – Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro

1966 – Torneio Rio-São Paulo

1967 – Campeonato Paulista

1968 – Campeonato Paulista e Recopa Sul-Americana

1969 – Campeonato Paulista

Quando deixou o futebol profissional em 1969, Mengálvio trabalhou como supervisor de uma rede de cinemas no litoral paulista. Posteriormente também exerceu atividades na Cooperativa dos Ex-Atletas Profissionais de São Paulo.

Nos dias atuais, o tranquilo catarinense Mengálvio que é viúvo de dona Claudina de Moraes tem três filhos e curte sua merecida aposentadoria residindo em São Vicente.