Marçal, o zagueiro ideal da zaga santista 

Marçal, o zagueiro ideal da zaga santista 

Por Guilherme Guache, Centro de Memória 

Lucélia, a simpática cidade paulista que recebeu esse nome pela formação de sílabas dos nomes de seu fundador Luiz Ferraz de Mesquita e de sua mulher, Cecília Mendes de Mesquita, é o berço natal de Emerson Marçal que veio ao mundo em uma quarta-feira, 11 de outubro de 1944.

Com o passar dos anos, ainda menino, Marçal chegou com seus pais para morar em Santos, e foi nas ruas do bairro do Marapé que ele deu os primeiros chutes em uma bola de futebol jogando no Tricolor Santista, equipe amadora da sua nova cidade.

Seu primeiro técnico que muito o orientou no posicionamento correto e na maneira de atuar na defesa foi o técnico Bruno, o faz-tudo do modesto time do Marapé.

E foi em uma partida contra o infantil da Portuguesa Santista que o lendário Arnaldo Silveira, o velho Papa, o maior descobridor de jovens talentos na várzea santista, viu o desempenho do garoto Marçal e o levou para treinar nas equipes de base da “Mais Briosa”.

Papa pediu permissão para levar Marçal para os treinos ao pai do promissor zagueiro que tinha na época 15 anos. Seu pai, Manoel Antônio Marçal, um dos maiores abnegados da lusa santista, ex-presidente da Diretoria Executiva e do Conselho Deliberativo, de imediato concordou com o velho Papa que escalou o jovem para jogar na equipe da Portuguesa Santista.

Luiz Alonso Perez, o Lula, já tinha mostrado interesse em ter no plantel do Santos o promissor quarto-zagueiro Marçal que vinha sendo um dos destaques do time da Portuguesa e foi eleito o melhor quarto-zagueiro do ano de 1967, mas foi Antoninho que com a saída de Lula convenceu a diretoria do Peixe a contratá-lo por 200 mil cruzeiros novos em 1968.

O jovem com personalidade forte e dono de um estilo de jogo clássico que não dava pontapés, veio para a Vila Belmiro formar na zaga que nos anos anteriores era composta por Mauro, Haroldo, Calvet, Orlando Peçanha, Oberdan, Ramos Delgado e Joel Camargo dava início na Vila a trajetória que seria coroada de títulos com a camisa santista.

 Sua estreia aconteceu no Campeonato Brasileiro, no dia 8 de setembro de 1968, em Curitiba, na derrota santista pelo placar de 3 a 2 diante do Atlético Paranaense com Toninho Guerreiro e Edu marcando os tentos santistas que formou com: Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Edu, Toninho, Douglas (Marçal) e Pepe (Abel).

Curiosamente, nesse dia o time santista foi dirigido pelo ex-jogador José Ely de Miranda, o Zito, que estava naquela partida substituindo o técnico efetivo Antoninho, que não acompanhou a equipe por estar adoentado. No final do ano, a Taça de Prata foi conquistada pelo Santos.

Marçal participou da conquista da Recopa Sul-americana de 1968, do Campeonato Brasileiro de 1968 e do Campeonato Paulista de 1969. O ano de 1970 foi o melhor de sua carreira na Vila Belmiro, pois com a saída do clube de Joel Camargo, ele passou a ser o titular atuando ao lado do zagueiro argentino Ramos Delgado disputando a posição com Djalma Dias.

Mas no ano de 1971 uma grave lesão o afastou dos gramados por um longo período e sua vaga na equipe passou a ser preenchida pelos zagueiros Oberdan e Paulo. Nesse ano ele jogou 45 partidas, já no ano seguinte disputou apenas uma partida. Em 1973 Marçal jogou 10 partidas e atuou nas duas primeiras da conquista do Campeonato Paulista e no segundo semestre foi emprestado ao Coritiba, retornando ao Santos no ano de 1975.

Seu último título com a camisa do Alvinegro foi a conquista do Torneio Hexagonal do Chile disputado do início de 1977, ano em que atuou em 29 partidas. Sua última apresentação pelo Peixe foi no dia 27 de novembro desse ano, na derrota pelo placar de 4 a 1 diante do Uberaba no estádio João Guido pelo Campeonato Brasileiro.

Nessa partida derradeira em Minas Gerais, o Santos que era dirigido por seu ex-companheiro na zaga praiana Ramos Delgado, formou com Ricardo, Nelson, Marçal, Fernando e Gilberto; Carlos Roberto, Ailton Lira e Toinzinho; Nilton Batata, Pita (Juary) e João Paulo.

Ao todo, entre os anos de 1968/1973 de 1975/1977, Marçal disputou 210 partidas e marcou um gol com a camisa do Santos. Esse tento solitário foi no Torneio Governador do Estado (12/02/1976), no Morumbi, no empate em 3 a 3 diante do São Paulo.

Após pendurar as chuteiras Marçal trabalhou na antiga Cia. Siderúrgica Paulista, a Cosipa, onde se aposentou após 15 anos como Gerente Administrativo. Depois entrou na política e foi eleito vereador em Santos (1993/96), sendo também Secretário de Administração do ex-prefeito Beto Mansur e na primeira gestão do ex-prefeito Márcio Papa.

Nos dias atuais ele reside em Santos com sua esposa dona Maria Helena e é pai de Emerson Marçal Júnior e Ingrid Palmieri Marçal que lhe deram os netos Isabela, Felipe, Bruno que residem nos Estados Unidos e João Pedro e Ana e completam a feliz família o genro Celso e a nora Rosana.

Uma solicitação de Saldanha que interrompeu sua carreira na Seleção Brasileira 

O técnico da Seleção Brasileira em 1968, Aymoré Moreira, que nasceu 10 dias após a fundação do Santos (24/04/1912), convocou o jovem Emerson Marçal para disputar um amistoso do Brasil contra a Seleção da FIFA,  no Maracanã, em homenagem aos 10 anos da conquista do primeiro mundial do Selecionado Nacional na Suécia.

Marçal viu do banco de reservas o Brasil vencer pelo placar de 2 a 1, e na posição para a qual foi convocado jogou o experiente Roberto Dias. Essa foi a primeira e única vez em Marçal foi convocado para defender o Selecionado Brasileiro.

Dois meses depois dessa partida, no dia 6 de novembro de 1968, na qual a Seleção Brasileira estreou o novo uniforme com camisas amarelas, calções azuis e meias brancas, Aymoré Moreira deixava o comando e assumia em seu lugar João Saldanha, o João sem medo.

E foi João Saldanha que pediu para o técnico do Santos, Antônio Fernandes, o Antoninho, colocar como titular do Peixe, o então reserva de Marçal, Joel Camargo, pois Saldanha queria convocar Joel e precisa justificar essa convocação tendo Joel atuando como titular e não como reserva do time santista.

Antoninho obedeceu ao pedido feito e Emerson Marçal que estava no auge de sua carreira com 24 anos, formando a dupla de zaga com Ramos Delgado, durante a excursão do Peixe à África em 1969, passou para a reserva e o sonho de defender a Seleção Nacional tinha fim.