Laércio José Milani, um eficiente reserva de luxo na meta do Peixe

Laércio José Milani, um eficiente reserva de luxo na meta do Peixe

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

O emblemático e aplicado goleiro do futebol paulista, Laércio José Milani, nascido na paulista Indaiatuba, município que pertence à Microrregião de Campinas, no dia 1º de março de 1931, um dia de domingo. Começou sua carreira como jogador de futebol em uma modesta equipe de nome Guanabara Futebol Clube.

Suas atuações corajosas no gol desse time atraíam muitos torcedores e amantes do futebol que iam ao campo só para ver o ousado goleiro atuar. O jovem filho de Humberto Milano e Clofas Mosca Milani, teve sete irmãos e desde cedo se deixou levar pelo sonho de ser tornar um dia um goleiro de uma grande equipe profissional.

Aos 15 anos, no fim do ano de 1946, o jovem foi encaminhado ao Esporte Clube Primavera de sua terra natal e lá já vestia com muito orgulho a camisa nº 1 dessa equipe na qual se destacou a ponto de no ano de 1948, ser um dos principais destaques do time interiorano.

E foi em um amistoso realizado diante da Portuguesa Santista, que dirigentes do time da lusa praiana viram que o jovem goleiro tinha um futuro promissor pela frente e o levaram para Ulrico Mursa.

O guardião efetivo da “Mais Briosa” era Undu que foi substituído pelo jovem Laércio que passou a ocupar a meta Rubro verde e se tornou um dos mais jovens arqueiros do Campeonato Paulista.

No começo do ano de 1953, o Vasco da Gama e o Palmeiras mostraram interesse em adquirir o passe do promissor guarda-metas da Portuguesa Santista, mas o clube da Baixada Santista segurou ao máximo que pode o seu goleiro.

No entanto, um ano e meio depois, pressionado pelas dívidas, o time da colônia portuguesa cedeu e assim Laércio no mês de agosto de 1954 foi finalmente apresentado aos torcedores do time do Parque Antártica.

Em sua primeira temporada no Palmeiras, ele foi vice-campeão no ano do IV Centenário, e jogou na partida final do torneio, em fevereiro de 1955, no dia em que o Alviverde jogou de camisa azul.No time esmeraldino ele teve a dura e difícil tarefa de substituir o fenomenal Oberdan Cattani.

Mas como o time dcolônia italiana também não foi campeão nos anos seguintes irritando sua enorme e fanática torcida, títulos regionais esses que foram conquistados pelo Santos, e então no transcorrer do ano deo Alviverde decidiu tornar forte sua defensiva e ofereceu uma alta soma em dinheiro também o passe de Laércio pelo eficiente zagueiro santista Francisco Ferreira de Aguiar, o Chico Formiga ao time da Vila Belmiro que aceitou a oferta feita.

Na Vila Belmiro a confirmação e a consagração no arco santista

Quando chegou ao Santos, ele teve que disputar posição com Agenor Gomes, um ídolo da gente santista, o popular Manga goleiro titular absoluto que trazia no currículo os títulos de goleiro campeão nos anos de 1955 e 1956.

Manga continuaria jogando no título Paulista de 1958, mas o jovem arqueiro de Indaiatuba começaria a se firmar na equipe praiana a partir de 1959. Nos seis iniciais jogos da primeira excursão do Santos à Europa, em maio de 1959, ele se machucou e perdeu a posição para Carlos Pierin, o sempre querido Lalá.

Laércio só voltou ao time no dia 20 de dezembro na partida diante do Guarani no Brinco de Ouro em Campinas tomando o lugar de Manga e participou também das três partidas da super-decisão diante do Palmeiras, que só terminou no início do ano de 1960.

Senhor absoluto da meta praiana dono da camisa 1 nos anos de 1960 e 1961 começou a ficar na reserva com a chegada do grande Gylmar dos Santos Neves no ano de 1962, temporada em que acabou jogando em partidas decisivas que deram mais um título paulista ao Peixe.

O arrojado e disciplinado Laércio tornou-se um reserva de luxo do guardião Gylmar, assim como seria reserva do goleiro em 1965, mas sempre que sua presença se fazia necessária no time ele correspondia e exercia sua função com desenvoltura na meta do Alvinegro Praiano.

Quando o titular do arco santista Gylmar esteve servindo a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo na Inglaterra em 1966, Laércio passou a ser o arqueiro titular do Santos durante o Torneio Rio-São Paulo e o veterano goleiro então com 35 anos inspirava confiança na defensiva praiana.

E sua grande atuação na meta do time da Vila Belmiro aconteceu em um domingo, 27 de março daquele ano, em um Pacaembu com 43.603 espectadores em sua grande maioria de torcedores do Corinthians que estavam desesperados por uma vitória do time da capital que amargava na época o famoso “Tabu” já que o time deles não vencia o Santos desde o ano de 1957 e era motivo de gozação por parte dos torcedores do Peixe.

O Santos formou na tarde daquele domingo escalado por Lula com Laércio; Carlos Alberto, Oberdan, Haroldo e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Dorval (Lima), Coutinho, Toninho e Edu (Joel Camargo).

O Peixe teve dois jogadores expulsos na etapa complementar e aos 40 minutos o time adversário teve uma penalidade máxima a seu favor e que caso o gol fosse marcado o time da capital sairia de campo vencedor já que a partida estava empatada até aquele momento. O gaúcho Flávio encarregado da cobrança correu pra bola e chutou forte, mas Laércio caiu no canto certo e fez a defesa rebatendo a bola que caiu nos pés do artilheiro Flávio que pressionado, chutou por cima do travessão.

Laércio tornou-se o responsável daquele empate sem gols e manteve o “Tabu” para desespero dos jogadores e dos torcedores do time da capital e por falta de datas, todos o Santos, o Corinthians, o Vasco da Gama e o Botafogo foram declarados campeões do Torneio Rio-São Paulo daquele ano.

Entre os anos de 1957 e 1969 ele vestiu a camisa de goleiro do Santos em 337 jogos, e é o terceiro goleiro que mais vezes defendeu a meta santista ficando atrás apenas de Manga e Fábio Costa. E dizia aos amigos que preferia ser reserva no time santista do que ser titular em qualquer outra equipe não só do Brasil como do mundo, recusando várias propostas a ele feitas por diversos clubes.

Títulos conquistados no Santos:
1958 – Campeonato Paulista
1959 – Torneio Rio-São Paulo
1960 – Campeonato Paulista
1961 – Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro
1962 – Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores e Mundial Interclubes
1963 – Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores, Mundial Interclubes e Torneio Rio-São Paulo
1964 – Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro e Torneio Rio-São Paulo
1965 – Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro
1966 – Torneio Rio-São Paulo
1967 – Campeonato Paulista
1968 – Campeonato Brasileiro, Recopa Sul-Americana, Recopa Mundial e Campeonato Paulista
1969 – Campeonato Paulista

Após encerrar a carreira Laércio, o reserva de luxo trabalhou no cartório de seu irmão, em sua cidade natal e veio a falecer vítima de câncer na próstata no dia 29 de agosto de 1985, aos 54 anos, Seu sepultamento ocorreu em Santos.