As reações do Rei Pelé

As reações do Rei Pelé

A equipe mágica dos anos 60 ficou conhecida principalmente pelas grandes apresentações e goleadas diante de seus adversários. Mas, em algumas oportunidades, como toda grande equipe, o time de craques do Peixe também ficava em desvantagem no placar, e isso os motivava ainda mais dentro de campo.

O Rei Pelé era constantemente um alvo da torcida adversária. O grande craque de todo grande time, sempre é o mais procurado pelos adversários. E se tratando do maior craque do planeta terra, a provocação era ainda maior.

Em certas partidas, duvidaram da capacidade de reação do Santos e de Pelé. E após o apito final, ao olhar para as arquibancadas, era comum ver a cara de arrependimento dos torcedores.

Portanto, em mais uma homenagem ao seu aniversário, listamos alguns jogos em que o Rei foi o grande pilar de reações marcantes na história do Alvinegro Praiano. Confira abaixo:

– O gesto em Piracicaba
O Santos abriu o placar com gol de Pepe, de pênalti, aos 25 minutos. Picolé empatou, dez minutos depois, e Valdir virou para a equipe da casa, aos 43. Com o triunfo parcial, os torcedores de Piracicaba começaram a provocar o Rei.
Na volta para o segundo tempo, ele marcou o seu primeiro na partida, logo aos 11 minutos. Seis minutos depois, marcou o segundo, recolocando o Santos na frente. Aos 24, ele deixou Coutinho livre para marcar o 4º do Alvinegro, e após o abraço em seu parceiro, ele virou para a torcida e mexeu em seu cotovelo, fazendo o famoso gesto de “dor de cotovelo”. O Rei ainda marcou mais um aos 37, e Tite e Coutinho completaram a goleada por 7 a 2.

Ficha técnica:
10/12/1961 – XV de Piracicaba 2 x 7 Santos FC
Gols: Pepe (p) aos 25min, Picolé aos 35min e Valdir aos 43min do primeiro tempo;
Pelé aos 11min, aos 17min e aos 37min, Coutinho aos 24min e aos 44min e Tite aos 39min do segundo tempo.
Local: Rua Regente Feijó (Roberto Gomes Pedrosa), em Piracicaba, São Paulo.
Competição: Campeonato Paulista
Renda: Cr$ 1.175.200,00
Público: (9.600 calculado)
Árbitro: Stefan Walter Glanz
SFC: Laércio; Lima, Mauro e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
ECXVN: Luis Carlos; Orlando Maia, Dorival e Dema; Silvio e Biguá; Fifi, Nilo, Picolé, Celso e Valdir. Técnico: Vicente Naval Filho, Gatão

– Peixe morto no Rei Pelé
Atuando no estádio corintiano, o Parque São Jorge, o Corinthians saiu na frente aos 16 minutos, com gol de Cássio. Diz a lenda, que enquanto o time da casa estava vencendo, os torcedores acertaram um peixe morto em Pelé, além das diversas provocações. O que podemos cravar de fato, é que não durou muito a vantagem corintiana. Coutinho empatou cincos minutos depois, e aos 35, ainda da primeira etapa, o Rei virou a partida para o Peixe.

Ficha técnica:
04/11/1962 – Corinthians 1 x 2 Santos FC
Gols: Cássio aos 16min, Coutinho aos 21min e Pelé aos 35min do primeiro tempo.
Local: Estádio Parque São Jorge, em São Paulo.
Competição: Campeonato Paulista
Renda: Cr$ 3.928.500,00
Público: 27.384 pagantes  (recorde) (33.000 total estimado)
Árbitro: Airton Vieira de Morais
SCCP: Aldo; Augusto, Eduardo e Ari; Amaro e Oreco; Bataglia, Silva, Nei, Cláudio e Lima. Técnico:  Fleitas Solich
SFC: Gylmar; Lima, Olavo e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Tecnico: Lula

– Reação em dois minutos
O time santista perdia por 2 a 0 do Vasco no Maracanã, e a partida entrava nos seus cinco minutos finais, e os zagueiros vascaínos Brito e Fontana começaram a provocar o Rei.  “Você viu algum rei por aí, Brito?”, perguntou Fontana. “Eu não, Fontana, e você?”, respondia o companheiro de zaga. Atento as provocações, Pelé reagiu imediatamente.
Aos 41 minutos, ele diminuiu a vantagem do Vasco. E aos 42, ele empatou o jogo. Ao marcar o tento do empate, Pelé foi buscar a bola no fundo da rede, e disse ao defensor Fontana: “Tá vendo isso aqui? Leva para a sua mãe de presente”.

Ficha técnica:
16/02/1963 – Vasco 2 x 2 Santos
Gols: Ronaldo aos 38min do primeiro tempo; Sabará aos 12min, Pelé aos 41min e aos 42min do segundo tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Competição: Torneio Rio-São Paulo
Público: 29.200 aproximadamente
Renda: Cr$ 9.652.000,00
Árbitro: Stefan Walter Glanz
CRVG: Ita; Joel, Brito, Dario e Maranhão; Barbosinha (Fontana) e Sabará; Villadoniga, Saulzinho, Lorico (Fagundes) e Ronaldo. Técnico: Jorge Vieira
SFC: Gylmar; Dalmo, Mauro e Zé Carlos (Tite); Calvet e Lima; Dorval, Mengálvio, Pagão (Toninho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula

– A virada em La Bombonera pela América
Diante de aproximadamente 85 mil pessoas, o Santos protagonizou uma das maiores viradas de sua história. No primeiro jogo da final da Taça Libertadores de 1963, o Peixe venceu o Boca Juniors por 3 a 2. Portanto, uma vitória da equipe argentina na 2ª partida, provocaria a terceira, para definir o campeão.
Atuando no seu estádio, o time argentino foi para cima, e abriu o placar com Sanfillippo. E sofrendo diversas hostilidades da torcida, o Peixe não titubeou, e Coutinho empatou quatro minutos depois. E já perto do final do jogo, aos 37 minutos, o Rei Pelé mostrou toda sua garra e talento dentro de campo, e além de driblar os adversários, driblou toda hostilidade sofrida, e levou o Santos ao Bicampeonato da América. Após a partida, Pelé declarou que nunca havia sido tanto xingado como naquela noite.

Ficha técnica:
11/09/1963 – Boca Juniors-ARG 1 x 2 Santos
Gols: Sanfillippo a 1min, Coutinho aos 5min e Pelé aos 37min do segundo tempo.
Local: Estádio La Bombonera, em Buenos Aires, Argentina.
Competição: Taça Libertadores
Público: 85.000 aproximadamente
Renda: Cr$ 135.000.000,00 ou 16.917.300 pesos
Árbitro: Marcel Albert Bois (França)
CABJ: Errea; Magdalena, Orlando Peçanha e Simeone; Rattin e Silveira; Grilo, Menéndez, Rojas, Sanfilippo e Gonzaléz. Técnico: Aristóbulo Deambrosi.
SFC: Gylmar; Dalmo, Mauro e Geraldino; Calvet e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

– A reação em Porto Alegre
O Santos iniciou o Campeonato Brasileiro de 1963, disputado em 1964, novamente como forte candidato ao título. E o adversário na semifinal, foi a forte equipe do Grêmio. A primeira partida foi realizada no Estádio Olímpico, que recebeu na ocasião, mais de 50 mil pessoas.
A equipe da casa saiu na frente, logo aos 6 minutos, e o público foi ao delírio. A alegria tomou conta da cidade de Porto Alegre, mas, por pouco tempo. Coutinho tratou de empatar aos 25 minutos, e Pelé, virou a partida ainda no primeiro tempo, aos 37. O Gênio da Área completou o marcador aos 25 minutos, já da segunda etapa, e a torcida gaúcha a essa altura, não acreditava mais em uma possível vitória.

Ficha técnica:
16/01/1964 – Grêmio 1 x 3 Santos
Gols: Paulo Lumumba aos 6min, Coutinho aos 25min e Pelé aos 37min do primeiro tempo; Coutinho aos 25min do segundo tempo.
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Competição: Campeonato Brasileiro
Renda: Cr$ 21.327.000,00 (Recorde de renda no RS)
Público: 50.000 (estimado) (Recorde de público no RS)
Árbitro: Eunápio de Queiroz
GFBPA: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cléo e Joãozinho; Marino (Madureira), Paulo Lumumba, Mílton e Vieira
SFC: Gylmar; Dalmo, João Carlos, Haroldo e Geraldino; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Batista. Técnico: Lula.