A grande conquista da primeira geração dos Meninos da Vila

A grande conquista da primeira geração dos Meninos da Vila

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Mesmo sendo derrotado por 2 a 0 pelo São Paulo, no estádio do Morumbi, naquela quinta-feira, numa noite fria, dia 28 de junho de 1979, o jovem time do Santos se sagrava campeão paulista pela 14ª vez em sua maravilhosa história.

Essa vitória do time dono da casa obrigou as equipes a disputarem uma prorrogação de 30 minutos, que acabou num empate sem gols. A enorme taça ficou com o Alvinegro devido ao critério de desempate que o favorecia por ter o maior número de gols no terceiro turno (21 gols).

Antes dessa final foram jogadas mais duas partidas todas no estádio do Morumbi, o clássico que recebeu o apelido de San-São, foi dado pelo jornalista Tomás Mazzoni, do jornal paulistano A Gazeta Esportiva no ano de 1956.

A primeira partida da decisão, no dia 20 de junho, quarta-feira, foi um jogo bem disputado e nervoso do começo ao fim. A vitória coube ao time santista, que jogava sem cinco titulares e saiu atrás do placar.

O público total presente nessa vitória santista pelo placar de 2 a 1, foi assistida por um público de 88 316 espectadores. Os tentos do Peixe foram de autoria de Juary e Pita, já para o São Paulo marcou Serginho Chulapa, o maior artilheiro do Tricolor com 242 gols marcados e que viria para o Santos em 1983.

Célio, o herói no segundo confronto que terminou empatado em 1 a 1

O segundo confronto poderia dar o título ao motivado torcedor peixeiro, que lotou a casa do adversário na certeza de que naquele dia 24 de junho, domingo, o pesado e vistoso troféu desceria a serra indo para Santos.

O atacante Marcelo Carlos Monteiro da Silva, conhecido como Célio, que no último dia daquele ano completaria 20 anos, foi quem marcou aos 42 minutos da etapa inicial, após receber do Camisa Dez Pita, e adentrar na grande área adversária.

Mas nos derradeiros minutos da etapa final, quando a torcida praiana vibrava e comemorava a vitória, o ponta-esquerda são-paulino Zé Sérgio adiou a comemoração do Peixe, ao marcar o gol de empate aos 43 minutos, forçando a realização de mais uma partida. O público presente foi de exatos 115 155 espectadores.

A finalíssima e a dramática decisão

A partida decisiva aconteceu quatro dias depois. O técnico Francisco Ferreira de Aguiar, o Formiga, mais uma vez não pode escalar vários titulares importantes, como o goleiro Vitor, que foi o titular durante todo o campeonato, além de Joãozinho, Clodoaldo, Aílton Lira e João Paulo.

O time santista para a decisão ficou com Flávio, Nelsinho Baptista, Antônio Carlos, Neto (Fernando) e Gilberto Sorriso; Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita; Nilton Batata, Juary e Claudinho.

O São Paulo marcou aos 26 minutos do primeiro tempo, por intermédio de Zé Sérgio, e aos cinco minutos da etapa complementar, por meio de Neca. A partida terminava com a vitória do time da casa por 2 a 0, forçando a necessidade de uma prorrogação de 30 minutos, com dois tempos de 15 minutos.

Foram momentos angustiantes vividos pela jovem torcida do Alvinegro, que rezava pelo término da prorrogação. Os dois times, cansados, pouco atacaram e decidiram explorar as falhas do adversário sem se arriscar muito. O Santos jogava de acordo com o regulamento, pois sabia que o empate lhe daria o tão sonhado título.

E assim que o árbitro João Leopoldo Ayeta, determinou o fim da partida, o Morumbi explodiu num tremendo foguetório e a festa começou não só nas arquibancadas do estádio, mas em todo o território nacional. Surgia a primeira geração do grupo que ficou conhecido como Meninos da Vila.

Esse campeonato, jogado em três turnos, demorou quase um ano e foi um dos mais longos de todos os Paulistas, pois começou em agosto de 1978 em função da Copa do Mundo de 1978, na Argentina.

Nele o Santos disputou 56 partidas, vencendo 26, empatando 16 e perdendo 14, marcando 77 e sofrendo 47 gols. O lépido centroavante Juary Jorge foi o artilheiro máximo da competição, com 29 gols.

Chico Formiga, o professor que comandou Os Meninos da Vila

A expressão “Meninos da Vila” foi criada pelo técnico Chico Formiga. “Sou mineiro de Araxá e lá na minha terra temos o vício de chamar os garotos de meninos. Assim, quando me perguntavam do time, eu respondia que os meninos estavam bem”, explicou Formiga.

O técnico Formiga foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso do jovem time que também tinha jogadores experientes em seu elenco. Ele assumiu o grupo no ano anterior da conquista e promoveu vários jogadores que ele já conhecia das categorias de base.

Um dos dirigentes do Santos naquela memorável conquista foi José Ely Miranda, o eterno gerente Zito, que acreditou na capacidade de comandar de Formiga e o promoveu para o time principal.

Na última vez em que vencera o disputado título regional, em 1973, o time ainda tinha em seu elenco o eterno Rei Pelé. Após essa conquista, o Santos voltaria a vencer outro Estadual somente em 1984.

Depois, outra longa espera por um grande título demorou 18 anos e só foi recompensada com o Brasileiro de 2002, conquistado por mais uma nova geração de Meninos da Vila.