A Copa do Mundo é nossa, com os brasileiros do Santos, não há quem possa…

A Copa do Mundo é nossa, com os brasileiros do Santos, não há quem possa…

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória

Três garotos, no distante ano de 1950, mal imaginavam que oito anos depois seriam personagens importantes na conquista do primeiro título mundial da Seleção Brasileira, na Suécia. Pelé, o mais novo do trio, tinha apenas nove anos, Pepe tinha 15 e o eterno capitão Zito, 17 anos.

Os três ainda eram jovens sonhadores naquele fatídico dia de 1950, e que em 29 de junho de 1958, eles estavam no grupo da Seleção Brasileira, na Suécia, um país localizado na península Escandinava, na Europa do Norte.

E foi lá que eles contribuíram para que o Brasil pudesse comemorar a memorável conquista que até hoje enche e traz lembranças marcantes e que fizeram o futebol nacional ser respeitado e admirado pelos esportistas de todo o mundo.

A Seleção Brasileira naquela competição teve uma numeração em nada tradicional, o goleiro Gylmar foi inscrito com a camisa nº 3, Nílton Santos com a 12, Mauro com a 16, Zito com a camisa 19, Pepe com a 22, e assim por diante. O destino quis que o jovem Pelé, de 17 anos, fosse inscrito com a mágica camisa 10, que ele imortalizaria no futebol.

Pepe seria o titular da equipe nacional, mas devido a uma lesão no tornozelo direito perdeu a chance de atuar durante os jogos na Copa do Mundo, e em seu lugar entrou o ponta-esquerda Zagallo.

Zito e Pelé ficaram na reserva nos dois primeiros jogos do torneio. Na terceira partida contra a União Soviética, Zito entrou no lugar de Dino Sani e Pelé no lugar de Mazzola. O Brasil venceu por 2 a 0, os dois santistas agradaram o técnico Vicente Feola e não saíram mais da equipe.

No jogo seguinte, na vitória por 1 a 0, diante do País de Gales, o Rei do Futebol marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo e teve a vaga assegurada nas semifinais, contra a França.

Contra os franceses, Pelé conseguiu seu primeiro hat-trick com a camisa amarela, na goleada brasileira por 5 a 2.

Na grande final, contra os anfitriões suecos, 41 737 pagantes estavam presentes no Estádio Rasunda, em Solna. Os donos da casa saíram na frente, com Liedholm. Vavá marcou o gol de empate e o gol da virada ainda no primeiro tempo.

No início da segunda etapa, mais precisamente aos 10 minutos, Pelé, o menino de 17 anos que havia prometido ao pai que ganhar uma Copa do Mundo para ele, protagonizou um dos mais belos lances vistos no futebol mundial.

Após receber lançamento de Nílton Santos, matou a bola no peito, já driblando um marcador, e ao ver a chegada de outro defensor sueco, aplicou um belo chapéu e chutou firme, surpreendendo o goleiro sueco.

Edson Arantes do Nascimento estava sendo protagonista de uma final de uma Copa do Mundo. Era e ainda hoje permanece como o mais jovem a conquistar uma Copa.

Zagallo marcou o quarto gol do Brasil, Simonsson fez o segundo da Suécia. E para encerrar a Copa do Mundo, o camisa 10 da Seleção campeã marcou mais um tento, dessa vez de cabeça, para decretar o triunfo por 5 a 2.

Os jogadores do Peixe, Pelé, Zito e Pepe, ao lado de Gylmar (que em 1962 viria para o clube e se tornaria o melhor arqueiro da história do Alvinegro Praiano), foram recebidos com muita festa em Santos pela enorme conquista.

A cidade parou e os quatro heróis desfilaram pela cidade, trazendo alegria ao povo brasileiro, fazendo as pessoas esquecerem a triste final no Maracanã em 1950.