Memória: Partida contra o Penãrol ficou conhecida como “A noite das garrafadas”

Memória: Partida contra o Penãrol ficou conhecida como “A noite das garrafadas”

A noite do dia 02 de agosto de 1962, ficou conhecida como “A noite das Garrafadas”, por que nessa noite e madrugada do dia seguinte jogaram na Vila Belmiro, o Santos FC e a equipe uruguaia do Peñarol em partida valida pelas finais da Taça Libertadores da América e que terminou em 3 a 2 para os uruguaios depois de muita confusão e pancadaria na partida. Os gols do Peixe foram marcados por Dorval e Mengálvio. O Alvinegro Praiano dirigido pelo técnico Lula formou com: Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Pagão, Coutinho e Pepe.

Contando com a colaboração do amigo e sócio do Peixe, Marcelo Fernandes, um torcedor apaixonado que reside e trabalha em Luxemburgo, publicamos o bonito texto por escrito descrevendo os fatos daquela tumultuada partida:

“Na história do Brasil Império, houve um episódio que ficou conhecido como a “Noite das Garrafadas”. Na decisão da Libertadores de 62, os acontecimentos foram além de um simples jogo de futebol: uma verdadeira batalha.
O Peñarol veio a Santos precisando da vitória, pois o empate dava o título ao Peixe. Logo, aos 15 minutos, Spencer abriu o marcador para os uruguaios.
Três minutos depois, Dorval chutou forte no canto esquerdo do goleiro Maidana para empatar o jogo. Aos 35, Mengálvio mandou um torpedo de fora da área e acertou o ângulo direito de Maidana: Santos 2 X Peñarol 1.
No início do segundo tempo, foi a vez do Peñarol empatar o jogo, novamente com Spencer, após cobrança de escanteio feito por Joya. No lance, o goleiro santista Gilmar reclamou que o uruguaio Sasía havia jogado terra em seus olhos. Para Gilmar, o juiz ainda viu o ocorrido.
Alguns jornalistas presentes afirmaram que o lance do escanteio foi bola prensada, o que favorecia a defesa. Na confusão, uma garrafa foi arremessada em cima do bandeirinha chileno Massaro.
Depois de uma longa paralisação, o auxiliar só voltou depois de ser medicado. Logo em seguida, o Peñarol virou a partida. Sasía recebeu passe de Matosas e anotou. Novamente o jogo parou por reclamações dos santistas sobre uma falta em cima de Calvet.
Reiniciada a partida, Pagão empatou para o Santos, aos 22 minutos, e o juiz Carlos Robles encerrou o confronto muito antes do tempo regulamentar ser esgotado. A torcida do Peixe saiu do estádio comemorando o título. Porém, no dia seguinte, o árbitro escreveu na súmula que havia terminado o jogo quando estava 3 a 2 para o Penãrol e só prosseguiu por questões de segurança. Oficialmente só foram jogados 51 minutos, portanto, o gol de Pagão foi invalidado. A decisão ficou para o terceiro jogo em Buenos Aires”.

Guilherme Guarche
Coordenador do Centro de Memória e Estatística do
Santos Futebol Clube