Ídolo e artilheiro, Guga relembra bons momentos vividos no Santos FC

Ídolo e artilheiro, Guga relembra bons momentos vividos no Santos FC

(Foto: Dennis Calçada/Santos FC)

O Santos FC é o time de futebol que mais marcou gols na história. O maior do mundo neste quesito. Esta marca se deve aos grandes artilheiros que passaram pelo Alvinegro Praiano. Em épocas de “vacas magras”, quando o Peixe lutava mais para colocar as contas em dia, do que por títulos, surgiu um dos grandes “matadores” da década 90 santista. O carioca Alexandre da Silva, mais conhecido como Guga, marcou 74 gols vestindo o manto alvinegro, atuando em 101 jogos. Guga não visitava a Vila Belmiro há quase 20 anos, mas teve a oportunidade ser celebrado pelos torcedores do Santos na vitória do Peixe diante do Cruzeiro por 2 a 0, no último domingo, dia 31 de julho. Atualmente, já aposentado após passar por 24 times, Guga é dono de uma empresa de turismo. Nascido no Rio de Janeiro, no dia 14 de junho de 1964, o eterno “matador” conta um pouco da sua história no Alvinegro Praiano.

Você não vinha à Vila Belmiro há muitos anos. Como foi este reencontro com o torcedor do Santos?

Senti uma emoção muito grande. Pisei na Vila após quase 20 anos. Foi legal estar com o grupo atual, entrar no vestiário, ver como o Santos está melhor, como as coisas mudaram. Tive a honra de participar da oração antes do jogo, convidado pelo Elano e Ricardo Oliveira, que falaram palavras muito bonitas para mim. Após o jogo distribui autógrafos, tirei fotos. É gratificante ver que depois de tanto tempo ainda existe tanto carinho por mim. Valeu a pena. Joguei em uma época difícil, de vacas magras. Atuei em um grupo que jogava com muita vontade, determinação, queríamos ter conquistado títulos. Fui artilheiro de campeonato, tenho muito carinho pelo Santos e sua torcida.

Sendo parte de uma geração, que, infelizmente, não conquistou títulos, como você se sente sendo ídolo do clube?

Como eu fazia muitos gols, o torcedor acabou criando um carinho grande por mim. Entrávamos em campo com garra, determinação, muita vontade, mas sem vaidade. Existia uma pressão muito forte para ganharmos títulos, não conseguimos, mas o time nunca caiu, sempre estava nas cabeças, chegava em semifinais e outras boas colocações. São Paulo, Palmeiras e Corinthians tinham um time muito forte na época. O torcedor sabe que nós honramos a camisa do Santos.

Conte como foi sua chegada ao Santos ?

Cheguei no Santos em dezembro de 1991, eu estava na Internacional de Limeira, onde eu tinha marcado 21 gols e feito um ótimo campeonato paulista. Eu era o artilheiro da competição, mas na final do Estadual o Raí me passou. O Santos se interessou pelo meu futebol e me contratou. Cheguei aqui com Paulinho McLaren no time, jogando muito bem, era um ótimo centroavante. Eu aguardei a minha vez. Meu primeiro gol foi em um jogo contra o Cruzeiro, quando perdemos por 2 a 1, no Brasileiro de 91. Quando o Paulinho foi para o Porto em 92, eu assumi a vaga de titular até o dia que sai do clube.

Atacante Guga. Foto: Dennis Calçada / Santos FC
Atacante Guga fazendo o que sempre gostou: balançar as redes

Como você avalia sua passagem pelo Peixe?

Minha passagem pelo Santos foi maravilhosa, onde eu pude marcar vários gols. Marquei 74 gols atuando com esta camisa. Me machuquei algumas vezes, claro que passei em branco em outras oportunidades, mas eu sempre mantive a tranquilidade e foi com isso que conquistei o carinho do torcedor.

Quais foram as partidas que você considera mais importante vestindo a camisa santista?

Meus jogos que considero mais importantes com a camisa do Santos foram contra o Corinthians. No Morumbi, marquei os três gols do time na vitória por 3 a 1, no Paulista de 92, marquei até gol de meia-bicicleta, um dos mais bonitos da minha carreira. E teve um 4 a 3, que também fiz três gols, em 94, no Brasileiro.

Quando você saiu do clube?

Eu sai do Santos em dezembro de 1994, não me recordo exatamente qual foi meu último jogo, mas dois empresários compraram meu passe e fui para o Botafogo.

Você chegou a ser dono de casa lotérica quando se aposentou, mas o que aconteceu para enveredar para outras coisas?

Depois que eu me aposentei, eu tive casa lotérica por cinco anos, também tive uma casa de festas, mas depois de tantos assaltos nas lotéricas eu vendi tudo. Resolvi comprar um barco e hoje tenho uma empresa de turismo na Ilha Grande, onde eu faço passeios náuticos com pessoas do Brasil inteiro.

Como você classifica o Santos da sua época, seus amigos?

O grupo do Santos na minha época era muito unido, não tinha vaidade, não tinha uniforme para todo mundo, não tinha campo para treinar. E ninguém reclamava do Santos, pelo contrário, a gente entendia os problemas. O clube não tinha dinheiro para fazer grandes investimentos. Existia muito carinho entre todos nós jogadores. A gente viajava oito horas de ônibus e ninguém reclama não. Não tinha briga, o Paulinho é um dos meus melhores amigos e nós disputávamos a mesma posição.

Guga site

Atualmente o Santos lidera o Campeonato Brasileiro, é o atual campeão Paulista e está nas oitavas de finais da Copa do Brasil. Você gosta do time?

– É um time muito bom (atualmente), o Dorival era jogador comigo na época do Araçatuba, onde já mostrava liderança, muita inteligência. Ele já conseguiu vários títulos. O Santos sempre revela bons jogadores, de excelente nível técnico, fazendo uma equipe muito boa. Os jogadores do Santos estão bem preparados para brigarem por qualquer título na temporada. Mesmo com os desfalques olímpicos, que obviamente fazem falta, Dorival consegue segurar a onda. Os que têm entrado estão dando conta.

O Santos está bem servido de atacantes?

-Ricardo Oliveira é craque. Não tem o que falar. Rodrigão é muito bom, mas é natural perder a vaga para o Oliveira. O Santos está bem servido de atacantes.

Quem te acompanha nas redes sociais repara que você gosta postar muitas coisas. É uma das suas paixões?

-As redes sociais foi uma das melhores coisas que aconteceu no mundo (risos). Se não tivesse Instagram, Facebook, eu não reencontraria vários amigos. Eu moro no Rio, quero falar com várias pessoas em Porto Alegre, e já tenho como conversar. Os torcedores me encontram nas redes sociais e rola muito carinho por parte deles. Fico feliz. Viram meus amigos. Se não fosse as redes sociais, talvez eu e outros amigos tivéssemos caídos no esquecimento. Ajuda demais no meu trabalho também. Na minha época não se ganhava dinheiro com futebol, né. Preciso ganhar agora (risos)

Você tem algum recado para o torcedor do Peixe?

Só tenho motivos para agradecer a torcida do Santos. Me respeitar, me aplaudir, me enaltecer até hoje. Senti isso no jogo contra o Cruzeiro . Não tive nem como agradecer, pois a emoção era maior. Me abraçaram, gritaram o meu nome na rua. Isso é gratificante e só posso dizer que valeu muito a pena eu ter voltado aqui.